Prezados amigos:

Paz, saúde, amor, alegria e força interior a vocês e a todos os que lhe são caros.

Teremos hoje a décima oitava leitura em nossa abordagem dos temas que tratam da  intuição. Os escritos apresentados permanecem sob as regras de direito autoral, anteriormente anunciadas[1]. O programa estabelecido no início do ano tem sido cumprido com sucesso.

As leituras cumpridas até hoje foram:

Primeira parte – Conhecimento e reconhecimento

1.ª leitura - 040202 : Metodologia transdisciplinar e o intuicionismo  Texto: Gustavo Korte

Título do texto da apresentação: Intuicionismo

2.ª leitura – 18-02-02 - Pensamento, memória e conhecimento      Texto  Gustavo Korte

Palestrante: Prof. Dr. Robert Carter   Tema: Formas de intuição

3.ª leitura: 25-02-02 - Pitágoras, a Física e a Geometria Euclidiana. Tensões e limites. Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Prof. Dr. Tibor Raboczkay     Título da apresentação: Sociobiologia.

4.ª leitura: 04-03-02 - A intuição estética: limites, formas e objetos.     Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Músico Rodolfo Viana  Tema: Estética sonora:  Melodia, Harmonia, Ritmo, Timbre e Tom

5.ª leitura:11-03-02 - A intuição : Alma, Corpo e Espírito na Filosofia Patrística    Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Médico e Professor Luiz Fernando França     Tema : Alma, Corpo e Espírito

6.ª leitura: 18-03-02 - Agostinho e Tomás de Aquino:  inclinação e conaturalidade Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Prof. Dr. Claudino Pilletti    Tema: Platão, Aristóteles e a intuição.

              7.ª leitura: 25 –03-02  Descartes, a Geometria, a Medicina e o Misticismo         Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Prof;ª Rachel Reichardt              Tema: Introdução à Numerologia

              8.ª  leitura:01-04-02 - Kant e a Analítica Transcendental   Texto e apresentação: Gustavo Korte

9.ª leitura:08-04-02 -  O positivismo e as implicações da Lei dos Três Estados. Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Jornalista Walter Tesch   Tema: Cooperativismo, liberalismo e socialismo na sociedade moderna

10.ª leitura:15-04-02  A Semiótica    Texto: Gustavo Korte

Palestrante:  Prof. Dr. Claudino Pilletti      Tema:  O pragmatismo, o Islamismo e a revelação intuitiva.

11.ª leitura: 22-04-02  Semiótica  e a Ética utilitarista intuitiva na conquista do conhecimento Texto: G. Korte.

Palestrante: Psicanalista Sandra Berta         Tema: Lacan e sua evolução na Psicanálise

              12ª leitura: 29-04-02  A Lingüística      Texto e apresentação: Gustavo Korte

Segunda parte – Sinais e formas avançadas de comunicação

13.ª leitura: 06-05 –02Sinais míticos e místicos : livros sagrados e religiões   Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Dr. Luiz Fernando Mendonça        Tema: O Gnosticismo mítico, mitológico e místico.

14.ª leitura: 13-05-02  - Os Celtas, os Vedas e o chamado intuitivo.   Texto e testemunho oral: Gustavo Korte

15.ª leitura: 20-05-02    - A intuição e a influência africana    Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Humanista Marilu Martinelli Tema: A influência cultural e as formas simples de intuição 

16.ª  leitura:  27-05-02  - Intuição nas nações indígenas da América   Texto  (em elaboração): Gustavo Korte

Palestrante:: Arquiteta e psicóloga Marisa Murta    Tema: Jung, os símbolos e a intuição

17.ª  leitura:  03-06-02  Reducionismo nas percepções auditivas: Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Prof.ª Rachel  Reichhardt                    Tema:  A narrativa e a intuição

              18.ª leitura:  17-06-02 –  As formas de comunicação geradas no tato   Texto: Gustavo Korte

              Palestrante: Escultora Marli Koraicho    Tema: A intuição e a comunicação plástica na construção social.

19.ª leitura:   24-06-02 - Reducionismo e projeções na percepção visual  Texto: Gustavo Korte

Palestrante:Acupunturista João Baldan   Tema: A intuição e a acupuntura

Leitura de hoje:

20.ª leitura:  01-07-02  - As perspectivas do conhecimento transdisciplinar   Texto: Gustavo Korte

20:00 hs. Palestrante:Prof. Dr. Yves Marie Meratpresidente da AFRETI – Association .Française de .Recherches.et Études. Transdisciplinaires .Internationales -  Tema: Intuição e suas origens genéticas.

21:00 hs. Palestrante:Prf.ªDra. Brigitte Faton- Professora de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade falará sobre A Intuição e a Maternologia – o surgimento de uma nova ciência

 

Próximas leituras:

21.ª   leitura: 05-08-02  - Premonição e clarividência  Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Músico Rodolfo Viana.  Tema: Premonição e intuição musical

22.ª leitura: 12-08-02 As formas de comunicação geradas no olfato e na gustação          Texto: Gustavo  Korte

Palestranteespecialista em culinária.     Título da apresentação: A culinária e a perfumaria nas percepções intuitivas.

23.ª leitura: 19-08-02 A leitura das probabilidades: quiromancia, tarô e búzios   Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Matemática Regina Célia               Título da apresentação: As probabilidades: Eu, a Natureza e o Outro.

24.ª leitura: 26-08-02 A integração nos fenômenos químicos e microbiológicos  Texto: Gustavo Korte

Palestrante: a ser ministrada por especialista na área          Título da apresentação: A transdisciplinaridade e a microbiologia

25.ª leitura: 02-09-02 :  A fragmentação e a integração no holismo    Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Dra. Regina Migliori                     Título da apresentação: A Paz e o Universo

Terceira Parte - A  ruptura  conceitual e as conseqüências  empíricas.

26.ª  leitura: 09-09-02 - Comunicações para e extrasensoriais             Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Humanista Marilu Martinelli              Título da apresentação: A intuição e a medicina hindu

27.ª leitura 16-09-02 - A Telepatia                   Texto : Gustavo Korte

Palestrante:  Psicopedagoga Mari Rincón               Título da apresentação: Os estudos avançados sobre intuição e telepatia

28.ª  leitura: 23-09-02 - A experiência e o Tempo             Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Médico  Luiz Fernando França                   Título da apresentação: A árvore da vida

29.ª  leitura:  30-09-02 O Espaço físico e o imaginário    Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Dra. Ana Lúcia Figueira         Título da apresentação: Concreto, abstrato e imaginário na percepção intuitiva. 

30.ª leitura: 07-10-02 - Natureza dos deslocamentos cronológicos        Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Médica Homeopata Dra. Célia Regina        Tema: A Microbiologia, o Tempo e a Intuição

31.ª  leitura: 14-10-02  - Transpondo pensamentos, memórias e conhecimentos

Palestrante:  Dra. Regina Migliori -   Reduções, projeções e representações mentais em face da intuição

32.ª leitura: 21-10-02 - Transdisciplinaridade atemporal          Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Psicopedagoga Mestranda Dalva Alves Título da apresentação: A Intuição, o Tempo e a Transdisciplinaridade

33.ª leitura: 28-10 - Reducionismo e projeções nas percepções extrasensoriais   Texto: Gustavo Korte

Palestrante:psicanalista ou psiquiatra Título da apresentação:Concreto, abstrato e imaginário nas percepções extrasensoriais

34.ª  leitura: 04-11-02  - Conhece-te a ti mesmo: introspecção  e exteriorização cognitiva  Texto: Gustavo Korte

Palestrante:  Prof. Rachel Reichardt      Tema: Mítico, místico e intuitivo na comunicação e no conhecimento.

35.ª  leitura: 11-11-02 -  Ruptura ou  integração: o físico, o imaginário e o atemporal    Texto: Gustavo Korte

Palestrante: Humanista Marilu Marinelli         Tema: A estrutura neurofisiológica, a bioquímica  e a intuição

36.ª  leitura: 18-11-02 – Convergências nas observações sobre a intuição        Texto: Gustavo Korte

Palestrante:  Prof. Dr. Claudino Pilletti   Tema: A conaturalidade na iniciação filosófica de natureza intuitiva

 37.ª leitura: 25-11-02 – Iniciação racional e empírica  Os rituais iniciáticos  intuitivos  Texto e apresentação: G. Korte

 

Para os dias  30/11 e 01/12  pretendemos programar reunião em Ibiúna,  em regime de imersão,  para concentração mental  e práticas intuitivas. Saída de S. Paulo,  dia 29/11 à noite , cerca de 20hs, e retorno dia 01/12 , saída de Ibiúna, às 20hs.

Nossos palestrantes de hoje serão, como adredemente anunciado, o Dr. Yves-Marie Merat e a Dra. Brigitte Fatton.

O Dr. Yves-Marie Merat é presidente da AFRETI- Associação Francesa de Estudos e Pesquisas Transdisciplinares Internacionais.É psiquiatra, pedopsiquiatra, chefe de departamento de Psiquiatria, diplomado em Victimologia(Washington), Profgessor associado dassd univbersidades de Arad e Beijing,  e o encarregado do ensino de Vitimologia na Universidade de Clermon Ferrand, na França.

A Dra. Brigitte Fatton é médica, especializada em Ginecologia e obstetrícia; especializada em cirurgia uroginecológica; chefe de serviço de Ginecologia Obstétrica; colaborada em estudo nacional de maternologia; professora associada da universidade de Arada, Romênia; encarregada de ensino universitário de cirugia e ginecologia. Atualmente é a secretárria geral da AFRETI.

 

As perspectivas do conhecimento transdisciplinar                                               

                                                                                                       Gustavo Korte

A busca dos caminhos do conhecimento é um processo que leva a situações semelhantes às que experimentamos ao despertar dos sonhos. As imagens pouco nítidas, que surgem à nossa frente durante esse processo,  devem ser comparadas, definidas e, por uma ação do intelecto,  passam  por um mapeamento. Acumulam-se os dados obtidos pela observação pessoal. As informações  resultantes das observações, sejam teóricas ou práticas, indicam os mais diversificados modelos de relações, sejam presenças, ausências, posições, durações ou outras formas de manifestação dos fenômenos. A partir daí procedemos à construção de formas de pensar que supomos próprias, convenientes e oportunas.

Em todo avançar intelectivo reconhecemos trilhas e caminhos que enquanto forem  mapeados, possibilitam memorização e reconhecimento em favor dos que vierem atrás. Eleger um método equivale a  escolher um caminho. Aos peregrinos do intelecto são oferecidos vários roteiros, inúmeras trilhas e os mais diversos caminhos e os mais sábios preferem aproveitar-se das experiências dos que os antecederam, evitando repetições de insucessos que, muitas vezes, lhes possam consumir, irremediavelmente, o tempo de vida que não lhes será devolvido.

Sabemos que muitas vezes nos é possível recuar diante de erros, equívocos e direcionamentos que nos distanciam de nossos propósitos. Mas, por ora, só a imaginação e a ficção científicas nos têm permitido  recuar no eixo dos tempos. Sabemos, assim, que o tempo é algo que parece ser irrecuperável. Tempo mal aproveitado é vida mal vivida. Tempo desperdiçado é vida consumida sem aproveitamento.   

Somos intuitivamente levados a crer que compete, aos que querem avançar em direção ao conhecimento, fazê-lo com segurança, firmeza e em velocidade cautelosa, que seja compatível com suas potencialidades. A razão e a vontade de viver com aproveitamento impõe-nos efetuar a escolha do caminho que nos pareça o mais próprio. Se soubermos fazê-lo, poderemos alcançar nossos  objetivos. Caso contrário, restaremos às margens do processo intelectivo em que definimos uma parte da nossa natureza humana. 

Dentro das nossas abordagens procuramos respaldar nossos avanços nas informações trazidas pelo senso comum. Daí por que os avanços serão grafados na linguagem discursiva, traduzida no idioma português falado no Brasil,  e terão, como base de informações, a autoridade do que nos é informado pelos dicionários, sejam eles etimológicos, gramaticais, enciclopédicos ou de campos de conhecimentos específicos.

A palavra método tem origem no vocábulo grego meOodoz ( leia-se Méthodos). Este verbete aporta vários significados, dentre os quais destacamos: caminho, programa , processo, técnica, procedimento, forma ou modelo de ação, meio, tratado procedimental. No sentido figurado significa também prudência, atenção, ritual,  circunspecção; modo judicioso de proceder; ordem. 

Caminhando na direção do entendimento, tentando conscientizar os vários processos mentais de abordagem cognitiva, podemos exercer várias opções. Torna-se fácil, então,  constatar que vários métodos são passíveis de utilização. De fato, muitos são os caminhos para o conhecimento. Há métodos unidisciplinares específicos, aplicados a disciplinas específicas. Há métodos interdisciplinares, que propiciam o conhecimento  via de sua abordagem por diferentes disciplinas. Há métodos pluri e multidisciplinares, que como veremos mais adiante, trazem respaldo em ações apoiadas em conhecimentos oriundos de varias diferentes disciplinas. Neste caso, tanto as crenças de que resultam como as razões finais que definem os procedimentos decorrem ou estão relacionados a diferentes disciplinas. E há também o método que nos parece mais próprio, objeto fundamental desta abordagem, que se define na transdisciplinaridade, por muitos entendida como sendo o preâmbulo do conhecimento holístico. 

Os dicionários especificam  alguns dos muitos significados contidos no verbete método, indicados pelas diferentes práticas e disciplinas[2].

São muitos os métodos sugeridos pelas diferentes disciplinas. Eles conduzem a espaços intelectuais que se abrem à abordagem dos fenômenos e possibilitam o seu estudo. O que podemos verificar é que, em cada campo do conhecimento, os interessados recorrem a várias trilhas, todas elas anunciando possibilidades de conquistas nos campos do conhecimento. Todavia, ao mesmo tempo em que procuramos agir racionalmente, de uma visão introspectiva sincera, resulta uma observação irrefutável: enquanto caminhamos por entre as névoas do desconhecido, nós nos deixamos guiar, ora menos, ora mais, pelo misticismo, que envolve em mistérios uma grande parte do que supomos conhecido. E este misticismo nos induz a aceitar, como conhecimento fundamental, proposições simplesmente redutíveis às raízes de crença e justificação, que nada mais é senão o que, modernamente, é designado por conhecimento científico. 

Recebemos assim os sinais intuitivos de que o espaço ocupado pelo conhecimento, tal como o Universo, perde a linearidade geométrica e assume a idéia contida nas curvaturas pluridimensionais sugeridas pela trigonometria. O conhecimento, tal qual o universo, está em expansão e se faz representar  por curvaturas. Os métodos não podem ser inflexíveis

Do método reconhecido por autoritarismo recebemos uma seqüência de informações, revestidas de afirmações sobre as quais não suscitamos dúvidas, e indicadas pelas mais variadas notícias de fatos e ações, atribuindo a tais idéias e linhas de pensar também a natureza de crença e justificação de que se reveste o que designamos e  supomos ser o conhecimento.

Também observamos que nos percursos empreendidos pelo intelecto surgem possibilidades de fixar caminhos tendo em vista um sentido eminentemente utilitarista, quando não simplesmente prático. Queremos conhecer o processo visando  reduzir custos operacionais e melhorar os rendimentos. Queremos agir  para aumentar ganhos pessoais ou coletivos ou para reduzir os prejuízos .Por vezes, desse processo pragmático emerge com nitidez a relação trabalho-resultado, usualmente reduzida pelos economistas à expressão custo-benefício. As observações indicam que, na maioria dos casos, os métodos específicos cumprem o ritual pragmático de atender à utilidade do conhecimento em face das pessoas envolvidas. Devemos reconhecer que, muitas vezes, somos guiados  pelo pragmatismo, traduzido na idéia do método que justifica o conhecimento pela sua utilidade[3].

Também é de ser assinalado que grande parte dos métodos específicos reconhecidos pela literatura científica têm características que respondem ao que é sugerido pelo empirismo, ou seja, pelo aproveitamento da experiência própria, da vivência dos outros ou da somatória do  que nos é traduzido como verdade pela palavra dos historiadores. Este é o que designamos por método decorrente do empirismo, ou seja, caminho que nos é sinalizado pela experiência pessoal, seja ela própria ou dos outros.

Há pensadores[4] que procuram se ajustar ao método designado por racionalismo, com total respeito às relações causais que agem na seqüência dos fatos projetados no eixo dos tempos, visando enunciar leis de causa-efeito que, supostamente, regem todos os fenômenos.

No fluir da vida somos freqüentemente espicaçados pelo ceticismo, pelo duvidar seqüencial que nos leva à alternância entre  crença e  descrença, propiciando dúvidas e sugerindo certezas. Esse proceder corresponde a percorrer o caminho que identificamos no método designado por ceticismo.

No caminhar, seja do mundo sensível, no mais das vezes somos tangidos pela amorosidade e, atraídos pelas delícias com que ela nos pastoreia, avançamos pelos campos do conhecimento. Outras tantas deixamo-nos levar, animadamente,  pelo intuicionismo, que foge simultaneamente às exigências da razão discursiva e da experiência.

 

2 - Informações que emergem da Filosofia

Os entendimentos filosóficos sugerem algumas convergências e tantas outras divergências conceituais. Senão, vejamos.

Walter BRÜGGER[5] afirma que:

... Método e sistema perfazem a essência do saber científico no qual o sistema representa o aspecto de conteúdo e o método o aspecto formal. Com maior precisão,  designamos sistema o conjunto ordenado de conhecimentos ou de conteúdo de uma ciência. Pelo contrário, caracterizamos  como método, em conformidade com o sentido etimológico da palavra, ( em grego me odos , atalho,, vocábulo composto de  odos , caminho, e meta, junto de, ao lado de; donde “atalho, rodeio”) o caminho seguido para construir e alcançar dito conjunto. Falando de um modo geral, ocupamo-nos metodicamente com um domínio do saber, quando o pesquisamos segundo um plano, pomos em destaque suas peculiares articulações, ordenamos os conhecimentos parciais de acordo com a realidade, os ligamos com rigor lógico e tornamos inteligíveis, consoante os casos, valendo-nos de demonstrações; no final, devemos saber, de todas e de cada uma das coisas, não só o “que são”, mas também “por que são” deste ou daquele modo, por conseguinte, não apenas o fato, mas também a razão do mesmo... A  transferência do método próprio de uma ciência para outra pode falsear  e até inutilizar todo o trabalho; é o que sucede, quando, p. ex., se pretende elaborar a metafísica só com o método da ciência natural. S. Tomás de Aquino prepara já  a nítida separação dos métodos , pela distinção que faz  entre os três graus  de abstração, distinção essa que ele desenvolve( seguindo o trilho aberto por Aristóteles. Por sobre a abstração física (científico-natural) e a matemática, eleva-se a abstração metafísica que considera o ente enquanto tal.  

André LALANDE[6], explica que a palavra método carreia três significados fundamentais:

O primeiro, traduz etimologicamente, “perseguição”(cf. Metercomai); e, por conseqüência, esforço para atender um fim, pesquisa, estudo ; donde se encontram , entre os modernos, duas concepções muito vizinhas , possíveis de distinguir: 1 - Caminho pelo qual chegou-se a um certo resultado, mesmo quando este caminho não estava adredemente fixado de maneira desejada e refletida. Chamamos aqui ordenar, a ação do espírito pela qual, tendo sobre um mesmo sujeito ... diversas idéias, diversos julgamentos e diversos raciocínios, ele os dispõe da maneira mais própria para tornar conhecido esse sujeito. É isto que se chama ainda método. Tudo isso, por vezes, ocorre  naturalmente e algumas vezes melhor quando executado por aqueles que não aprenderam nenhuma regra da lógica em relação aos que as aprenderam. (Lógica de Port-Royal, Introdução, 6-7) .  2- Programa regulador para avançar em uma seqüência de operações a serem cumpridas e que assinala certos erros a serem evitados, visando atingir um resultado determinado. No segundo traz o significado de procedimento técnico de cálculo ou de experimentação. “O método dos menores quadrados”. “O método de Poggendorf ” (emprego do espelho móvel para medida de ângulos). E no terceiro significado aporta a idéia de  um sistema de classificação (sobretudo em Botânica: John Ray, Methodus plantarum nova, 1682).

É ainda LALANDE quem afirma que a idéia de método é sempre de uma direção definível e que pode ser regularmente perseguida em uma operação do espírito.

DESCARTES aconselha prosseguir... levando em conta as  considerações e as máximas  a partir  das quais formei um método, pelo qual me parece que eu tenho um meio de aumentar por degraus o meu conhecimento e de elevar pouco a pouco a um ponto mais alto que a mediocridade de meu espírito e a curta duração da minha vida me permitam atingir ( Discurso do Método, I, 3) .

Rudolf  BÖLTING[7] em seu Dicionário Grego-Português, esclarece:

meOodos, on . Substantivo fem. caminho, via, regra. meOodios, confinante. meOod (e) (a, as),  embuste, cilada, fraude, engano. meOodicoths, htos, f., método, sistema, regra, ordem pedagógica, modo de proceder, costume, via. Mais adiante BÖLTING ensina que o advérbio grego meta, escrito com a letra grega  tau e não com teta,  antes mencionado por Brügger, traz vários significados tais como  no meio, entre, além;  como preposição e genitivo, quer significar entre, no meio, no lado de ,junto com, sob, em, conforme; como preposição e acusativo significa depois de, para dentro, segundo, conforme, entre.

Resta observar na referência etimológica que metadw (e), significa perseguir, o que é diferente de meOodos,on,  caminho, trilha, roteiro, cujo radical é escrito com teta (O) e não tau (t ), onde o prefixo meta traz o significado de objetivo a ser atingido.

 

3 -  O que é metodologia?

 

O mapeamento dos métodos nos leva a pensar que não há conhecimento fora de uma sistematização metodológica nem que possa estar distanciado de marcos reconhecíveis. O que importa afirmar que todo conhecimento é relativo. Ou seja, não se caminha metodicamente sem que antes haja uma trilha. Esta idéia conflita, todavia, com a experiência humana, pois a revelação  do conhecimento pode dar-se tanto no desbravamento de novos espaços nos campos do saber como durante ou no final do percurso.

Conhecer sugere um processo em que, pelo trabalho das formas de percepção, a mente humana se propõe chegar a um objetivo que, supostamente, vai satisfazer a vontade que a anima.

Tendo origem no verbete grego méthodos, metodologia traduz a idéia de ordenação, seqüência,  arte, estudo, técnica, processo. O Novo Aurélio acentua três significados principais: arte de dirigir o espírito na investigação da verdade; na Filosofia, estudo dos métodos e, especialmente, dos métodos das ciências; na Literatura, como um conjunto de técnicas e processos utilizados para ultrapassar a subjetividade do autor e atingir a obra literária.

Os estudos metodológicos, muitas vezes, conduzem à própria Epistemologia[8]. Torna-se oportuno questionar se, para chegar ao conhecimento, é possível utilizar vários métodos ou nos bastará apenas um. Também suscita a questão fundamental se um ou vários métodos podem conduzir à falsidade do que supomos ser juízos de conhecimento. Os estudos desenvolvidos anunciam, de um lado a complexidade e a teia em que se entrelaçam os procedimentos metodológicos e, de outro, que há muitos caminhos que devem ou podem ser percorridos na direção do conhecimento, sem que entre si sejam, necessariamente colidentes ou exclusivos. 

- Será que todos os caminhos  nos levam aonde queremos chegar? outro é o significado contido no processo dinâmico em que se revela a ação de percorrê-lo. Esta, como prática humana,  resulta de nossa vontade. Por outro lado, na mesma indagação vem a sugestão de que há caminhos objetivos, que estão à nossa frente e não dependem de nós, pois existem em si e por si mesmos, e onde, sobretudo, persiste saber se há a vontade que pode ou não nos animar a percorrê-los.

São muitos os métodos sugeridos pelas diferentes disciplinas que nos permitem a abordagem dos fenômenos. Façamos uma avaliação de perspectivas e propósitos em torno dos quais deverão ser captados os contornos da nossa vontade para que possamos ver definido o caminho a ser percorrido..

Ao iniciar uma peregrinação intelectual, por mais difusos ou abstratos que possam parecer os objetivos, impõe-se explicitar, pelo menos, a natureza e algumas das propriedades  do alvo em cuja direção partimos. Apenas desdobrar avanços na vivência de aventuras, desbravamentos e riscos que o conhecimento desordenado pode acarretar, sem metas de segurança, ordenação seqüencial e alvo definido nada nos acrescenta. Há um impulso direcionado, com sentido e aceleração, que marca e define o viver. A experiência indica que a desordem não leva ao que chamamos sistematização do conhecimento. Só a ordenação nos deixa  seguros de estarmos na direção e sentido próprios aos nossos objetivos.

Há um sentido pragmático da motivação final de nossos movimentos. Buscar a utilidade do conhecimento, sua aplicabilidade para fins genéricos ou específicos, querendo definir, no final do percurso a utilidade contida na vivência, ainda que seja utópica, é uma das componentes naturais que forma a vontade, e que a experiência sugere inerente à natureza do ser humano.

Cabe questionar se quando falamos em utilidade ou função do conhecimento utilitarista estamos apenas clareando uma das determinações genéticas que integram o nosso sistema nervoso. Isto é, cabe fixar esta indagação para investigarmos se, quando pensamos em utilidade do conhecimento, estamos apenas  respondendo a um requisito biológico das nossas funções pensantes ou ela é uma resposta criativa da espécie humana para responder às suas necessidades de sobreviver e preservar a espécie.

A pergunta confunde porque, enquanto método significa caminho, impõe-se a idéia de utilidade, conveniência e propriedade da ação e da vontade que nos leve a percorrê-lo.

 

 

 

4 - Como proceder para abordar o conhecimento?

 

Há muitos significados contidos na palavra conhecimento.[9] Questionando como abordá-lo, vemos que a resposta requer indicação de métodos  ou caminhos possíveis.  Vamos, inicialmente, aproximar-nos de nossos objetivos usando um  deles, que é fundado na autoridade de quem nos informa. Vamos seguir utilizando o método designado por autoritarismo. Em seguida, tomaremos por fundamento o misticismo em que estão enraizadas nossa fé e nossas crenças.

           Mynikka Vyçagar (séc. VIII), escritor hindu,  em Tirouvyçagam, sugere: A alma  nada conhece por si mesma. O conhecimento repousa sob re uma relação entre dois termos: ele, de uma parte, e seu deus, de outra. Ora, esse produto está longe de ser estável, é submisso às flutuações que podem existir  nas relações entre pessoas humanas[10].

Deveremos ainda prosseguir, procedendo de acordo com as regras que regem a lógica discursiva, e que designamos por racionalismo, exigente e  fundado na suposta racionalidade,  que em geral esclarece e satisfaz sobretudo as formas de pensar discursivas.

A experiência que a vida nos propiciou, como também a nossos ancestrais e a outros humanos, reunida pelos historiadores, evidencia o empirismo como um dos caminhos para o conhecimento.

Também o pragmatismo, sempre exigindo resultados práticos ligados à utilidade do conhecimento, é  sugerido como método, pois traz a idéia de utilidade do conhecimento.

Diante da cada nova informação deveremos suscitar, pelo ceticismo, ao duvidar e questionar constantes. E assim o ceticismo emergirá como outra das possibilidades metodológicas.

Por outro lado, recebemos sinais, desde a tradição hebraica mais remota, firmada por Moisés (séc. XIII a.C.), reafirmada pelos clássicos na sistematização do conhecimento, como   Pitágoras (séc. VI a.C.), Zoroastro (séc. VI a .C.), Confúcio (séc. VI a.C.), Budha (séc. VI a.C.), Platão (séc. V a.C.)[11]; Aristóteles (séc. IV a.C.), Cristo, Paulo de Tarso (séc. I), Maomé (séc. VI),Tomás de Aquino (1226-1274)[12] e tantos outros pensadores, que a amorosidade, contida na afetividade e no sentido de preservação da espécie é, também, um dos sinais que nos permitem a abordagem do conhecimento.

Na realidade, os rituais do amor, à margem da vida, mapeam os caminhos mais apropriados para a assimilação e a composição de informações, de idéias, de linhas e formas de pensar. Constituem trilha indispensável e fios essenciais  do tecido em que nos é revelada alegria e o prazer no processo do conhecimento. Por isso que, a par dos demais sinalizadores,  seguimos, também, os indicativos oriundos da amorosidade, adotando-os como imperativo decorrente de lei natural e reconhecendo-lhes os traços do que designamos conaturalidade[13].

E, finalmente, deixar-nos-emos guiar pelo  intuicionismo, que mal sabemos definir e que nem sabemos até onde nos levará. Esta aparente irresponsabilidade na escolha metodológica  implica em que aceitamos, como princípio de procedimento, na sua forma mais elementar, que há caminhos que respondem não à razão nem à experiência anterior, mas que nem por isso perdem a natureza de meios de acesso ao saber. Torna-se imperativo, por ora, afim de que tenhamos um avanço significativo, que cada um procure responder, em seu íntimo, as questões que seguem: - Queremos realmente saber, conhecer, entender os fenômenos ou, simplesmente, vivenciá-los? - Onde chegar? - Partindo de onde? - Quando chegaremos? - A causa deste querer saber e avançar é resultante de uma evolução interior ou está em nós como sendo própria  e exclusiva de nossa  Natureza?

 Não importa que as respostas sejam precisas ou imprecisas, exatas ou inexatas. É importante o esforço individual que anima o intelecto a responder. O que interessa é que essas perguntas estejam presentes em nossas formas de pensar, em cada passo, e possibilitem exercer o arbítrio que nos haverá de permitir avançar, recuar, pensar e escolher em cada momento o que pareça mais próprio[14], oportuno[15] e conveniente[16].    

 

5-      A linguagem discursiva e o idioma

 

Para que um campo de conhecimento seja reconhecido como científico, o que de uma certa forma implica numa abordagem racional das informações que dele nos chegam, diz-se que deve ser tratado com objeto, linguagem  e metodologia que lhe sejam próprias. Muitas são as linguagens e diversificadas são as formas de comunicação. Não há que confundir linguagem com idioma.  A linguagem é classe da qual a linguagem verbal é gênero e o idioma é espécie ou subespécie. Em geral a linguagem é sempre de natureza simbólica. E nós nos comunicamos, sobretudo, por sinais que não são necessários verbalizados.

Os estudiosos de neurolingüística informam que noventa e dois por cento das formas de comunicação não são discursivas, ou seja, nem integram idiomas nem linguagem verbalizada. Mas, por outro lado, apenas oito por cento das comunicações entre os seres humanos ocorrem pela verbalização dos idiomas.

 J.C. Mazzilli[17] afirma: Em PNL[18]  usa-se o termo Prestidigitação Lingüística para designar uma série de padrões de direção do pensamento para criar múltiplas posições perceptivas num determinado contexto. Destina-se a evitar o raciocínio linear, ou pensamento unidirecional. Seu modelo é constituído por estratégias que permitem estabelecer analogias, hierarquizar critérios, segmentar para baixo ou para cima, ver intenções e conseqüências etc. e nos permite desafiar crenças  e raciocinar de um modo global.  

A veracidade dessa afirmação emerge do empirismo em nossas observações de vida, na medida em que não é difícil  reconhecer o uso simultâneo de muitas outras linguagens tais como  visual, tátil, auditiva, gustativa, corporal, olfativa etc. De fato, a linguagem é um instrumental através de cuja utilização as idéias são transmitidas com significados que mais se aproximam do que lhes é atribuído.

A leitura de Gardner[19] nos sugere a crença de que a cada linguagem corresponde uma inteligência: Cada inteligência  possui seus próprios mecanismos de ordenação e a maneira como uma inteligência desempenha sua ordenação reflete seus próprios princípios  e meios preferidos. 

Para possibilitar a memorização de nossos supostos  progressos discursivos e formar o patrimônio intelectual que pretendemos legar,  contendo-os em documentos escritos, impõe-se, de um lado, reunir os elementos que compõem as nossas supostas aquisições intelectuais e de outro, usar a linguagem verbal discursiva. É a forma de propiciar que idéias e formas de pensar possam ser reconhecidas por outros, independentemente do tempo e do lugar em que foram tecidas e aportem alguma fidelidade ao que lhes dá significado.

Duas idéias fundamentais ligadas à verbalização da linguagem discursiva se abrem à nossa abordagem. A primeira delas está em Platão, no Cratylo[20], quando Sócrates sustenta que a cada nome corresponde uma entidade, seja um objeto, uma pessoa, um qualificativo, uma idéia, uma ação ou um período. E a boa linguagem é aquela em que a essência das coisas ou entidades é revelada no designativo por que estas são reconhecidas. Nessa mesma trilha Heidegger[21] questiona: Existe alguém entre nós que não sabe o que é formar uma idéia? Quando nós formamos uma idéia de alguma coisa – de um texto, se somos filólogos, de um trabalho de arte, se somos historiadores da arte, acerca de um processo de combustão, se somos  químicos – nós temos uma idéia representacional  desses objetos. Onde nós temos essas idéias? Em nossas cabeças. Nós as temos em nossa consciência. Nós as temos em nossa alma. Nós temos as idéias dentro de nós mesmos, estas idéias de objetos.

 A segunda é a trilha reaberta por  Charles Sanders Peirce (1839-1914), por muitos considerado o pai da Semiótica. Peirce acredita que nos seus primórdios intelectivos o Homo sapiens ter-se-ia utilizado do objeto-símbolo e da memória. Pelas formas de percepção receberia as informações acerca  do objeto-símbolo, e estas seriam em seguida gravadas na memória. O  registro do objeto-símbolo na memória passa por um processo gradativo de abstração que ocorre como formas de pensar na percepção dos signos.

Trazendo as imagens pictográficas de uma cabeça de boi desenhada na parede de uma caverna, e o túmulo de um companheiro onde é colocada uma pedra desenhada, BROSSO[22] e VALENTE para esclarecer a mensagem de Peirce, exemplificam o processo de abstração em três diferentes formas: a pedra desenhada é um ícone, e a cabeça do boi é um índice do boi. Na verdade ambos são ícones, mas como o desenho da cabeça tem com o objeto representado uma proximidade física, ou seja, uma relação de contigüidade, torna-se naquele momento um índice. Com a escrita criptográfica o índice, na seqüência e ao longo de séculos,  poderá evoluir para tornar-se o símbolo do boi. Assim se expressam esses autores: Então teríamos: ícones (primeiridade- noções de possibilidade e qualidade); índices: (secundidade: noções de choque e reação, incompletude); e símbolos (terceiridade – noções de generalização, norma e lei).

Os signos são classificados por Peirce, segundo sua etapa evolutiva, em três categorias: ícones, índices e símbolos.  Ícone quando o signo possui analogia, semelhança ou similaridade com o objeto nele representado; índice quando revela uma conexão de proximidade (contigüidade) e símbolo quando a conexão com o objeto da representação corresponde a uma abstração intelectual, a uma linha de pensar memorizada, sem a qual a ligação não teria meios de ser reconhecida.

Citado por BROSSO e VALENTE, Roman JAKOBSON afirma que a linguagem é um dos sistemas de signos, e a lingüistica, enquanto ciência dos signos verbais, é apenas parte da Semiótica, a ciência geral dos signos (...) ou a doutrina dos signos, dos quais os mais comuns são as palavras[23]

Peirce afirma que o mais alto grau de realidade só é atingido pelos signos e que ele aprova a criação de novas palavras para novas idéias[24]. Com a palavra faneroscopia Peirce designava tudo que é presente ao espírito, sem cuidar se corresponde a algo real ou não.

Seguem esta linha as sugestões de Ludwig Wittgenstein (1889-1951), no Tratactus Logico-Philosophicus, de que, em parte,  procurou se retratar posteriormente[25]. Wittgenstein nessa sua primeira fase afirma[26]: Que algo caia sob um conceito formal como seu objeto não pode ser expresso por uma proposição. Isso se mostra, sim, no próprio sinal desse objeto. (O nome  mostra que designa um objeto; o numeral que designa um número, etc.).Com efeito, os conceitos formais não podem, como os conceitos propriamente ditos, ser representados por uma função. Pois suas notas características, as propriedades formais, não são expressas por funções. A expressão da propriedade formal  é um traço de certos símbolos. O sinal da nota característica de um conceito formal é, portanto, um traço característico de todos os símbolos  cujos significados caem sob o conceito. A expressão do conceito formal é, portanto, uma variável proposicional em que apenas esse traço característico é constante.    

Parece-nos evidente que há um sentido estritamente pragmático na linguagem escrita, pois ela  responde ao desejo de termos vazando a dimensão tempo o instrumento de comunicação para gravar informações, possibilitando que não nos escapem da memória.

Dentre as muitas possibilidades de linguagem discursiva usaremos o português como idioma eleito, já que nossas formas de pensar são ordenadas e construídas no vernáculo. O vocabulário específico e próprio para os avanços metodológicos será formulado ao longo de nossos entendimentos.

Impõem-se, neste instante, formular algumas avaliações quanto à oportunidade[27]. Vamos dar início ao nosso caminhar trabalhando com a transdisciplinaridade, tomando-a, em si mesmo,  como um método, um caminho, um processo de conhecimento. Devemos dar indicações do percurso a ser vivenciado. Há marcos que, acreditamos, nos levarão a campos imprevistos, muito além dos que pretendemos alcançar.  Mas há também trilhas enganosas que, não apenas podem nos desviar dos nossos objetivos, como também afastar-nos definitiva e perigosamente da meta final. Tentemos responder, intimamente,  a algumas questões tais como:- para onde devemos nos dirigir? que idéia de lugar intelectivo nos atrai? quando chegaremos? quais as provisões disponíveis? como chegaremos?

Neste primeiro degrau impõe-se concluir que, para que sejam efetivas a aprendizagem e a possibilidade de registrá-la nos bancos de memória do conhecimento humano dois elementos são essenciais: a escolha do método, no sentido do caminho intelectual a ser percorrido, e a consciência de que, embora restritiva na extensão e compreensão, devemos escolher a linguagem discursiva consubstanciada em nosso idioma, como  o meio regular pelo qual procuraremos  registrar nossos progressos.

 

II - Segundo objeto de debates:  o conceito de  disciplina

 

6 – O que entendemos por  conceito, significado e constructo?

 

Impõe-se fazer a aproximação verbal a três palavras que serão usadas muitas vezes em nossas abordagens: conceito, significado e constructo. Queremos identificar significados. Recorremos a conceitos. Alojam-se, no depósito de nossas formas de pensar, conjuntos de idéias, verbalizadas, convergentes ou divergentes, que designamos por constructos. Importa pois, inicialmente, distinguir entre conceito, significado e constructo.

Conceito traz o sentido do que é resultante de concepção. O verbete concepção, feminino em português e no idioma latino, é originado de  conceptio, onis significa a ação de conter, de incluir a partir da origem, encerrar; de conceber recebendo a semente de um novo ser ou conceber pelo espírito, no significado de receber, absorver  ou encerrar uma nova idéia ou forma de pensar. Na  filosofia entende-se por conceito a representação dum objeto pelo pensamento, por meio de suas características gerais. Conceituar contém um processo de abstração, de projetar uma idéia em formas verbais pelas quais seja reconhecível. Corresponde à ação de formular a idéia por meio de palavras, definindo-a, dando-lhe os contornos formais, essenciais, plásticos, intrínsecos ou extrínsecos, que delimitam a sua caracterização. O verbete conceito  traduz vários  significados, com direção e sentidos diferentes.  Refere-se a pensamento: idéia, opinião, noção, concepção; também  a juízos de valor ou qualidade: apreciação, julgamento, avaliação, opinião. Traduz expressões subjetivas tais como ponto de vista; opinião, concepção; ou juízos sobre  situações sociais: reputação, fama. Também é referente a formas de expressão idiomáticas: máxima, sentença, provérbio; a formulações discursivas crípticas: parte de uma charada ou logogrifo, pela qual é sinalizada a palavra ou frase  como expressão para a solução proposta. Em Lógica encontramos so significados de conceito absoluto, ou seja o que define valor, qualidade ou relação e não é submetido às condições limitativas do sujeito em que se realiza. Conceito abstrato é o  indefinido que expressa uma essência indeterminada.

Quando tentamos conceituar sujeitamo-nos a restrições fundamentais, a saber: a) à da linguagem discursiva, verbalizada; b) à do nosso potencial de projetar e representar, buscando consenso, aludindo às qualidades incluídas no objeto, na idéia, pessoa ou coisa que pretendemos tornar reconhecível; c) à da intensidade da força (ou intenção) que nos direciona e faz mover em busca do reconhecimento da idéia, de tal forma que ela se torne a mais nítida possível e propicie sua comunicação a outrem.

Fazendo remontar à natureza mítico-religiosa os pressupostos que nos levam à conceituação, Ernst Cassirer[28]  explica: O conceito constitui-se, costumava ensinar a lógica, quando certo número de objetos acordantes em determinadas características e, por conseguinte, em uma parte de seu conteúdo, é reunido no pensar; este abstrai as características heterogêneas, retém unicamente as homogêneas e reflete  sobre elas, de onde surge, na consciência, a idéia geral dessa classe de objetos.  Logo, o conceito (notio, conceptus) é a idéia que representa  a totalidade das características  essenciais, ou seja, a essência dos objetos em questão.

E, mais adiante, apoiando-se em Goethe (1749-1832), é ainda Cassirer[29] quem afirma: Obteremos uma idéia mais precisa do fato se, por exemplo, tivermos em vista o método do exame goethiano da Natureza: método que se distingue não só porque nele se constata, com a maior clareza e vivacidade possível, um determinado tipo de pensamento natural, mas também porque , ao mesmo tempo, consegue reconhecer e exprimir nessa atividade, a norma interna da natureza. Goethe volta sempre  a insistir na necessidade da plena concreção, na plena determinação de contemplação da Natureza, onde cada coisa singular deve ser compreendida e contemplada no contorno preciso  de sua figura singular; mas, não com menos agudeza,  afirma que o particular está eternamente  submetido ao geral, por intermédio do qual justamente é ele constituído e torna-se inteligível em sua singularidade. A forma e o caráter da natureza viva residem , precisamente, no fato de nada haver em seu âmbito que não esteja relacionado com o todo. 

Friedrich W.J. Schelling (1775-1854) ao tratar das relações das artes com a natureza, observando as dificuldades nas conceituações, quer quanto à forma quer quanto ao conteúdo, em procedimentos que têm a arte por objeto, afirmava na seqüência de Goethe: Jamais a determinação da forma é, na natureza, uma negação, pelo contrário, é sempre, uma afirmação. Seguindo as idéias comuns, considerareis, indubitavelmente, a configuração de um corpo como uma limitação que lhe foi imposta; mas se forem conhecidos (internamente) na força criadora, a configuração aparecerá como uma medida que esta força se impõe a si mesma e na qual se revela como uma força verdadeiramente inteligente e sábia.... Representando-se esta força da particularidade e, por último, também da individualidade,  como um caráter vivo, o conceito negativo da mesma tem necessariamente como conseqüência  de atribuir uma insuficiente e falsa finalidade ao que é característico da arte.

Lamarck (1744-1829) cujo trabalho classificatório de plantas e animais está ainda vivo e atual no campo das Ciências Naturais, sugere a escala  de progresso para a conceituação e classificação dos seres vivos. De fato, Lamarck sugere que há sempre um gênero em que o ser particular pode ser incluído, e que é definido pelos caracteres genéricos reconhecidos nos demais integrantes, e de outro, que há sempre diferenças específicas entre as espécies de um mesmo gênero, que as identificam e fazem diferentes das demais. Observa-se no pensamento de Lamarck, assim como dos demais naturalistas, que conceituar traz o significado de classificar, de tal forma que o objeto do conceito seja incluído no gênero (categoria) em que está incluído e ao mesmo tempo diferenciado dos demais espécimes pela caracterização das diferenças específicas.

Por óbvio que quando procuramos conceituar estamos agindo sob a ação de uma força que nos impulsiona na direção do conhecimento. Seguindo o pensamento de Edmund Husserl[30] quando aborda O Caminho para o “Ego” transcendental,  devemos reconhecer que  a vida quotidiana pelos seus fins verdadeiros e relativos pode contentar-se com evidências e verdades relativas... Por conseqüência, do ponto de vista da intenção final, a idéia de ciência e de filosofia implica uma ordem de conhecimentos anteriores em si, referidos a outros, em si posteriores e, no fim de contas, um começo e um progresso, começo e progresso não fortuitos, mas, pelo contrário, fundados na “natureza das próprias coisas”. 

Não é difícil observar que nas relações humanas usuais não se desenvolve um esforço maior em busca de conceitos específicos e obedientes à sistemática e  à metodologia que indicam ou podem levar ao que supomos ser o conhecimento. Em realidade, em função das nossas deficiências intelectuais e das impróprias projeções e representações que nos são trazidas pela linguagem insuficiente, a maioria das pessoas despreza o rigorismo conceitual e, intelectualmente, trabalha com idéias aproximadas, contornos pouco nítidos, e sobretudo, recorre à imaginação criativa para desenhar ou mapear as informações que compõem os conceitos.

Há uma impaciência do intelecto que reage ao macro e ao microcosmos das idéias, e que, quanto mais profunda a pesquisa conceitual, mas vai sendo sensibilizado pelo acatamento dos pressupostos mítico-religiosos. Nós respondemos impacientemente às forças que nos sugerem os avanços conceituais. A vida nos parece muito curta para aprofundarmo-nos nesses mundos infinitamente abstratos.

Pode-se observar que quando se aplica especificamente na  busca de conceitos a atividade intelectiva de natureza conceitual está sujeita a uma duração limitada. Há limites reduzidos de tempo em que é mentalmente possível manter-se atento às especulações conceituais mais aprofundadas. Quando ultrapassados tais limites, a mente cansada procura evadir-se do campo dessas especulações. A experiência ensina que o ingresso intelectivo no universo das abstrações mentais, bem como o desempenho dos meios de percepção durante o desenvolvimento dessa atividade, consome muita energia, extenua as forças mentais e acarreta canseiras inesperadas.

O verbete significado inclui-se na categoria gramatical dos substantivos. Etimologicamente é fácil observar que a idéia nele contida  tem origem no particípio passado do verbo latino significo, as,  avi, atum, are. Há várias direções em que se propagam os sinais contidos no verbete. Assim, vejamos: 1. Corresponde à ação consumada de quem deu ou fez um sinal,  uma indicação, uma declaração, um anúncio.  2. Traduz um sinal, um sintoma. 3. Exteriorização de uma concordância; sinal de assentimento; aplauso, como sinal de aprovação não verbalizada. 4. Sentido ou acepção de uma palavra, forma ou sinal. P.ex. significado dos sinais de trânsito. 5. Palavra de mesmo significado:  equivalente verbal no mesmo ou em outro idioma. 6. Na Lingüística: o significado deve estar contido na representação verbal do significante materializado na linguagem. Neste caso, o significado corresponde ao conceito ou à noção, ao passo que o significante corresponde à forma, ou seja, ao sinal, verbalizado ou não. 7. Significado gramatical. Aquele que se estabelece dentro de um sistema lingüístico determinado e que dele depende. 8. Significado lexical.  Aquele que se estabelece em relação ao mundo biossocial.

Quanto a significado, Husserl ao abordar o campo da experiência transcendental, sugere que: A análise intencional  deixa-se guiar por uma evidência fundamental: todo o cogito, enquanto consciência. É, num sentido muito largo, “significação da coisa que visa, mas esta “significação” ultrapassa a todo o instante aquilo que, no próprio instante, é dado como “explicitamente visado”. Ultrapassa-o, quer dizer, é maior com um excesso que se estende para além. No nosso exemplo, cada fase da percepção constitui apenas um aspecto do “próprio” objeto, enquanto visado na operação. Esta ultrapassagem da intenção na própria intenção , inerente a toda a consciência deve ser considerada como essencial (Wesensmoment) a esta consciência.

As palavras de  Husserl nos trazem à memória o conceito físico de aceleração. Ao ser medida a aceleração ela é definida como uma grandeza derivada, decorrente das relações entre  deslocamento (espaço) e duração (tempo) . Em verdade, enquanto a velocidade é grandeza derivada definida pela relação entre o deslocamento e o tempo levado para que se opere, a aceleração corresponde à variação da velocidade por unidade de tempo em que atua. Por isso foi criada a idéia de que a variação da velocidade no tempo é medida em uma relação em que o tempo concorre na fórmula numa expressão de segundo grau, ou seja, tempo ao quadrado.

Como entender a expressão metro por segundo ao quadrado que representa a idéia da aceleração? Ora, não é fácil compreender a expressão tempo ao quadrado e muito menos encontrar a correspondência no mundo sensível. Todavia ela existe e nos campos da física e da matemática é perfeitamente compreensível a expressão variação da velocidade na unidade de tempo. Neste sentido, por analogia, quando falamos em significado empírico do conteúdo conceitual, podemos traduzir o movimento acelerado, negativa ou positivamente, que surge  como intrínseco ao próprio conceito. Isto é, o conceito responde a um movimento da mente e das formas de percepção cuja velocidade sofre variações para mais ou menos. Por este meio obtemos sempre um conceito dinâmico. E, a partir dele, alterando, modificando ou reduzindo as idéias que lhe são conexas,  podemos avançar ou regredir no campo do conhecimento.

A experiência sugere que os fenômenos são sempre complexos, nunca ocorrem isoladamente, e que há sempre uma aceleração, um plus que se acrescenta ao que já existia, e que impulsiona as formas de percepção propiciando  novas formulações ou subtraindo-as das já existentes. 

Usa-se em filosofia o verbete constructo com o significado de um conceito que está sendo verbalizado, que está em processo de construção discursiva. P. ex. globalização. Partimos da palavra, do neologismo para a formação da idéia, via de seu reconhecimento, adjetivando-a de tal forma que seu significado venha a ser cada vez mais esclarecido. Globalização torna-se mais compreensível quando apelamos à Geografia, à Ciência das Comunicações, à Sociologia e à Política, num processo de atribuição de conceitos que formem  e traduzam o significado do que a síntese verbal procura.

Constructo, com origem etimológica no latim, pelo particípio passado do verbo construo, is, struxi, structum, ere, traduz: 1.  o que foi construído, o que foi enunciado, o que foi elaborado; 2. o que foi amontoado, acumulado. É substantivo masculino, que se refere ao  que é elaborado ou sintetizado com base em dados simples, especialmente um conceito.

Em verdade, o verbete constructo sugere a adjetivação da forma de pensar resultante de uma somatória de linhas de pensar. Mas, de qualquer forma, é sempre uma construção verbal discursiva, não se tendo notícia – embora não nos pareça impossível - de constructo  elaborado fora da linguagem discursiva.

Em recente livro[31] o atual Dalai Lama, Tenzin Gyatso, refere-se a constructo como sendo uma síntese mental que surge de uma gama de acontecimentos complexos. A leitura desta expressão sugere o constructo como um resultado discursivo de um processo de composição e integração de elementos que aceitamos como verdadeiros  em face de nossas crenças, sejam elas justificadas ou não.

Da mesma forma, conceito sugere um juízo referente a pessoas, coisas, fenômenos  ou idéias, que já possuímos, e que é comum a mais pessoas, e sempre verbalizado.

O verbete significado traduz o conteúdo conceitual que recebemos pelos sinais que nos chegam. Pode ser ou estar – mas não necessariamente - prisioneiro das amarras da comunicação verbal discursiva, ou seja, das palavras.

O constructo, como resultado de um conjunto nem sempre mensurável de elementos discursivos  que integram a idéia, a linha ou a forma de pensar, pode ou não  ser adotado como elemento constitutivo  de uma crença justificada.

 

 

7. O que entendemos por disciplina

 

Agora talvez nos seja mais fácil perceber os vários significados que nos chegam, simultaneamente, pelo vocábulo disciplina. Etimologicamente, o verbete disciplina tem origem no latim. Segundo Guido Gómez de Silva[32] traz o significado de  comportamento obediente e ordenado, assimilado ao de ensinamento, instrução. conhecimento. Disciplina, no Dicionário francês Hachette[33] traduz pelo menos três significados : 1. Domínio particular do conhecimento; matéria de ensino. 2. Conjunto de regras de conduta impostas aos integrantes de uma coletividade para assegurar o bom funcionamento da organização social; obediência a essas regras. 3. Regra de conduta que o indivíduo se impõe. 

O Dicionário Novo Aurélio em CD Rom enumera, no verbete disciplina, vários  significados, a saber:  [Do lat. disciplina.] 1.Regime de ordem imposta ou livremente consentida. 2. Ordem que convém ao funcionamento regular duma organização (militar, escolar, etc.). 3.  Relações de subordinação do aluno ao mestre ou ao instrutor. 4.  Observância de preceitos ou normas. 5.  Submissão a um regulamento. 6. Qualquer ramo do conhecimento (artístico, científico, histórico, etc.). 7.Ensino, instrução, educação. 8.Conjunto de conhecimentos em cada cadeira dum estabelecimento de ensino; matéria de ensino. Disciplinas [Pl. de disciplina.] S. f. pl. 1. Correias com que frades e devotos se açoitam por penitência ou castigo.

O Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa de Caldas Aulete[34]  informa que disciplina é 1. Instrução e direção dada por um mestre a seu discípulo; 2. Submissão do discípulo ‘a instrução e direção do mestre; 3. Imposição de autoridade, de método, de regras ou de preceitos; 4.Respeito à autoridade; observância de método, regras ou preceitos; 5. Qualquer ramo de conhecimentos: científicos, artísticos, lingüísticos, históricos, etc. 6. Conjunto das prescrições ou regras destinadas a manterem a boa ordem e regularidade em qualquer assembléia ou corporação; a boa ordem resultante da observância dessas prescrições e regras; a disciplina militar; a disciplina eclesiástica, etc....  

Em todos os escritos que procuram trazer o significado anunciado pelo senso comum, podemos ver que disciplina inclui três entendimentos fundamentais. O primeiro, traduzindo o sentido comum de um campo específico ou particular de conhecimento, que na linguagem corriqueira está contido na idéia genérica de matéria de conhecimento. O segundo, revelado na postura de obediência e submissão do homem a regras de conduta que entende, por si próprio, como válidas (autodisciplina) e as adota como método de comportamento. O terceiro, que envolve regras e códigos comportamentais específicos e próprios de certas coletividades, tais como militares, religiosas ou filosóficas.

 

8 - Caminhos inter, multi, pluri e transdisciplinares

 

Procuremos, por analogia, formular o conceito de interdisciplinaridade

Inter, prefixo originado do latim, sugere posição intermediária; reciprocidade.  Assim, várias palavras que trazem inter como prefixo indicam o significado do que permeia  elementos de uma mesma natureza. Interamericano: Relativo a ou o que se efetua entre as Américas. Interbancário: que se observa ou se realiza entre bancos. Intercelular: localizado entre as células. Interclube: que se realiza ou se disputa entre dois ou mais clubes. Intercomunitário: que existe ou se efetua entre comunidades.

Ensina o Novo Aurélio: Verbete: inter- [Do lat. inter.] Pref. = 'posição intermediária': 'reciprocidade': [Equiv.: entre: entrededo; entrechocar-se.]

 

9 - Os marcos iniciais destes caminhos para o conhecimento.

 

 Muitos pensadores da atualidade, como outros tantos que nos antecederam, têm procurado chegar ao conhecimento por vias múltiplas e não delimitadas pelos marcos estritos de determinadas abordagens, sejam genéricas ou específicas.

 Assim,  enquanto alguns se deixam submeter ao autoritarismo, como forma legítima e pura de receber da ancestralidade a herança intelectual, outros buscam no misticismo as raízes mais fundas de nossas ligações com os campos do conhecimento.

 Outros, vitimados pela excelência do racionalismo, sentem-se suficientemente seguros em prosseguir com os recursos que essa metodologia estrita carreia os resultados mais fáceis de explicar, especialmente quando associado ao campo da vivência empírica, em que domina o empirismo.

A habitualidade nas observações nos leva a formas de percepção que o pragmatismo, anunciado inicialmente por Charles Peirce[35], procura vincular à utilidade e aos resultados práticos do conhecimento tendo em vista a atividade humana.

Tangidos pela dúvida intelectual, que anima a ação pensante do ser humano, o ceticismo  é a força presente em todo os caminhos do pensamento que, negando a verdade de tudo que se nos apresenta como conhecimento, revitaliza a vontade, alimenta a aprendizagem  e rejuvenesce a pesquisa.  Intuicionismo e amorosidade complementam o mapa metodológico que pretendemos abrir à nossa frente.

 

10 – Há vários métodos

 

Temos a possibilidade de adotar vários métodos para, via da transdisciplinaridade,  ou chegarmos ao que designamos conhecimento. Reconhecemos vários caminhos à nossa frente. Há muitas trilhas que nos são sugeridas para chegarmos ao nosso objetivo. Todavia sabemos que, algumas delas, podem nos distanciar ao invés de nos aproximar de nosso alvo. Se estamos no centro do Brasil e queremos chegar a Roma, há caminhos de terra que nos levam  a um porto do rio Araguaia. Há barcos que nos levam, pelo rio, até uma vila a partir da qual podemos seguir de carro até Goiânia. Podemos prosseguir por ar ou por mar. Todavia a travessia do Atlântico só pode ser realizada por ar ou mar, não ensejando, pelo momento outras opções.   

Perseguindo o mesmo objetivo, há caminhos pelos quais é possível optar em razão da confiança depositada nos diferentes meios de transporte. Vamos, assim, tentando avançar com a maior segurança possível, na busca do caminho que nos pareça mais próprio, conveniente e oportuno. Há caminhos seguros e lentos, que, se escolhidos, nos ensejarão uma chegada tardia.

Torna-se óbvio que, aproveitando-nos dos marcos existentes, poderemos fazer um traçado conceitual das opções possíveis. Assim, podemos inicialmente anunciar o que o método fundamentado no autoritarismo sugere na explicação do significado contido no verbete  interdisciplinar.

 

11. O que significa interdisciplinar.

 

A palavra está incluída na categoria gramatical dos adjetivos. Portanto, ela pretende determinar e dar os contornos do que devemos entender quando falamos em procedimento metodológico interdisciplinar. Poderíamos entender que o procedimento metodológico identificasse tão somente a natureza abstrata das formas de pensar que nos permitem avançar na direção de um certo conhecimento. Mas assim não é. Proceder metodologicamente pode corresponder a uma ação praticada nos campos do conhecimento, identificados tanto pela realidade empírica, como pela utilidade que dele resulta. Também pode referir-se aos progressos que são feitos na abordagem das abstrações e ao que físico não é.

Daí porque, avançando nas concepções intelectivas e lidando tão somente com idéias, podemos fazê-lo com metodologia uni, inter, multi, pluri ou transdisciplinar. Nessa seqüência, à medida em que ocorrem avanços e recuos, sejam concretos, abstratos ou fictícios, em todo o tempo, com humildade, podemos perceber que o que designamos conhecimento científico é, na verdade, o que designamos por crença justificada. E, diante dessa constatação, podemos observar como todo ramo do conhecimento está ligado umbilicalmente ao misticismo de que decorrem as crenças e ao racionalismo de que decorrem as justificações.

Agir interdisciplinarmente é o que reconhecemos como processar o conhecimento mediante o aproveitamento dos resultados emergentes de diferentes disciplinas, num esforço visando formar conjuntos de elementos cognitivos sem que se alimente o objetivo de, necessariamente, torná-los interdependentes, conexos ou convergentes.

Para G. MICHAUD[36] é: Interação existente entre duas ou várias disciplinas. Essa interação pode ir da simples comunicação de idéias até a integração mútua dos conceitos diretores, da epistemologia, da terminologia da metodologia, dos procedimentos de dados e da organização da pesquisa e do ensino que a esses se relaciona.

Para Bassarab NICOLESCU[37]:... A interdisciplinaridade tem uma ambição diferente daquela da pluridisciplinaridade. Ela diz respeito à transferência de métodos de uma disciplina para outra. Podemos distinguir três graus de interdisciplinaridade: a ) um grau de aplicação. P. Ex., os métodos da física nuclear transferidos para a medicina levam ao aparecimento de novos tratamentos para o câncer; b) um grau epistemológico. P. Ex. a transferência de métodos da lógica formal para o campo do direito produz análises interessantes na epistemologia do direito; c) um grau de geração de novas disciplinas. P.ex., a transferência dos métodos da matemática para o campo da física gerou a física matemática; os da física de partículas para os fenômenos meteorológicos ou para os da bolsa, a teoria do caos; os da informática para a arte,  a arte informática. Como a pluridisciplinaridade, a interdisciplinaridade  ultrapassa as disciplinas, mas sua finalidade também permanece inscrita na pesquisa disciplinar.

Imaginemos o que pode ser designado, mediante aproveitamento dos conhecimentos  matemáticos,  conjunto universo de disciplinas. Este conjunto é integrado por elementos, que designaremos disciplinasA, B, C e D designam as disciplinas incluídas em função de algumas características que lhes são comuns. Assim, por exemplo, a Botânica, a Zoologia, a Microbiologia, a Oceanografia podem ser incluídas como elementos de um conjunto universo ou em razão do objeto de estudos, ou dos métodos de abordagem do conhecimento que lhes são próprios ou ainda da linguagem científica em que são memorizados e sistematizadas as observações. Estaremos agindo interdisciplinarmente na medida em que  avancemos intelectivamente entre tais disciplinas, dentro das características comuns a esse conjunto. Situamo-nos como elemento móvel desse conjunto, observando os fenômenos a partir de um ponto de vista cujas características - método, objeto, linguagem -  sejam internas a esse conjunto.

         

12. O significado de multidisciplinar.

 

O prefixo latino multi tem origem e significado  no adjetivo multus, a, um. Este adjetivo contém, no idioma latino, revelado pelos escritores da antigüidade,  várias idéias, informadas dentre outros filólogos por Francisco Torrinha[38], a saber,: 1. Abundante; numeroso; em grande quantidade . 2. Adiantado, alto, que vai alto(quando se referindo ao dia, à noite,  à madrugada). 3. Grande; considerável; importante; extenso, espaçoso. 4. Que insiste muito em; em que se demora  muito; importuno; fastidioso. 5. Que se encontra em muitos lugares; que se multiplica; que não se poupa; ativo.  6. No plural: muitos contém a idéia de numerosos; muitas pessoas; multidão. 7. Homem vulgar, na expressão um dentre muitos. 8.  Um orador vulgar em  e multis orator.

A multidisciplinaridade não tem por objetivo entrar por dentro das várias disciplinas, mas recolhe nelas novas razões, marcos e informações, que são introduzidos numa compreensão  mais abrangente e que envolva o resultado integrado dessa coleta.

Para G. MICHAUD  a multidisciplinaridade é ... Justaposição de disciplinas diversas, às vezes sem relação aparente entre elas. [39]

Para o Novo Aurélio, o verbete multidisciplinar [De mult(i)- + disciplina + -ar1.] é um adjetivo, que significa  referente a, ou que abrange muitas disciplinas.

Na projeção sugerida pela Matemática, representada pela a idéia de um conjunto universo em que cada elemento é por sua vez um outro subconjunto constituído por várias disciplinas. Atuamos multidisciplinarmente quando os esforços do intelecto são conduzidos para uma coleta  de informações abrangentes, que facilitem a formulação de conhecimentos sem invasão, adulteração  ou modificação dos resultados obtidos em cada disciplina, respeitando-os como elementos comuns e próprios cuja convergência possibilita, por integração, um novo ordenamento,  ainda contido no conjunto-universo inicial.       

 

13 – Pluridisciplinar

 

O prefixo pluri vem do latim, trazendo significado semelhante ao de multi. Ambos estão ligados ao significado do prefixo grego poli, ou seja, referem-se a muitos, vários, sinalizando o plural de coisas e pessoas. Na leitura do grego, o sentido etimológico do prefixo latino pluri sugere raízes no verbete plhrhz , (leia-se plürës), que se reporta  ao que é pleno, cheio, farto, abundante, inteiro.

Para G. MICHAUD[40], pluridisciplinaridade é ... Justaposição de disciplinas diversas, mais ou menos “vizinhas” no domínio do conhecimento.

Em Bassarab NICOLESCU[41] ... A pluridisciplinaridade diz respeito ao estudo de um objeto de uma mesma e única disciplina por várias disciplinas  ao mesmo tempo... ...Em outras palavras, a abordagem pluridisciplinar ultrapassa as disciplinas , mas sua finalidade continua inscrita na estrutura da pesquisa interdisciplinar...

De fato, não restam suficientemente nítidas diferenças substanciais entre multi e pluridisciplinaridade.  Mas, atribuindo seriedade e objetividade aos esforços conceituais acima mencionados, quando recorremos às projeções matemáticas envolvidas na teoria dos conjuntos, é cabível afirmar que pluridisciplinar é  o conjunto que inclui elementos identificados em subconjuntos de várias disciplinas, sempre considerando que as disciplinas existem  a partir do momento em que tenham linguagem própria, metodologia e objeto específico. Na realidade as disciplinas são definidas por métodos, linguagem e objeto entre si compatíveis e convergentes.

A física newtoniana tem por objeto os fenômenos do mundo sensível, tem por método a experimentação e por linguagem recorre à matemática das relações numéricas atribuídas aos fenômenos e à verbalização discursiva quando descreve o objeto do estudo.      

 

14 - E o que significa transdisciplinar?

 

Quando tratamos de um método transdisciplinar referimo-nos ao que se serve e recorre a tantas disciplinas quantas conhecidas, visando captar entre elas o que há de semelhança,  interdependência, convergência e conexão, tanto de informações, como leis, métodos e conhecimentos.

Bassarab NICOLESCU[42] afirma que foi Jean Piaget[43] o primeiro  a usar a palavra transdisciplinar como expressão de uma nova abordagem do conhecimento: A  transdisciplinaridade, como o prefixo "trans" indica, diz respeito àquilo que está ao mesmo tempo entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de qualquer disciplina.  Seu objetivo é a compreensão do mundo presente, para o qual um dos imperativos é a unidade do conhecimento. ... Por outro lado, a transdisciplinaridade se interessa pela dinâmica gerada pela ação de vários níveis de Realidade ao mesmo tempo... 

Jean PIAGET[44], num lance de futurologia, em idos de 1970, na Organização da Comunidade Européia, anunciava:... Enfim, na etapa das relações interdisciplinares, pode-se esperar que se suceda uma fase superior   que seria " transdisciplinar" , a qual não se contentaria em atingir interações  ou reciprocidades entre pesquisas especializadas, mas situaria tais ligações no interior de um sistema total, sem fronteiras estáveis entre as disciplinas.

      E é o mesmo PIAGET, quem  escreve, em outro de seus trabalhos relevantes: O equilíbrio cognitivo não é um estado de inatividade senão de constantes mudanças e, se há equilíbrio, é porque estas preservam a conservação do sistema, enquanto um ciclo de ações ou de operações interdependentes, ainda que cada uma delas possa entrar em relação com o exterior...[45] 

G. MICHAUD[46] esclarece que transdisciplinar é a efetivação de uma axiomática comum a um conjunto de disciplinas.

Pierre WEIL[47]: reconhece duas possibilidades transdisciplinares, a saber: ... Assim sendo, a transdisciplinaridade é uma forma de abordagem  holística intelectual, porém holística não é só transdisciplinar... A transdisciplinaridade  especial é a axiomática comum a várias disciplinas dentro das ciências, das filosofias, das artes ou das tradições espirituais. Por exemplo, podemos considerar como transdisciplinaridade específica a axiomática comum entre a biologia e a física dentro da ciência, ou as Mônadas de Leibnitz[48] e o Ser de Heidegger[49], em filosofia, ou entre o abstracionismo e a arte sagrada, ou ainda entre cristianismo e hinduísmo, nas tradições espirituais.... A transdisciplinaridade comum é a axiomática comum entre ciência, filosofia, arte e tradição. Como ela inclui as tradições espirituais, leva fatalmente à visão holística através da abordagem holística, desde que praticada. Como axiomática, ela é o resultado de um esforço de conceitualização  que leva à compreensão e à definição do novo paradigma holístico[50].

Ubiratan D´AMBRÓSIO[51], ao tratar das questões referentes ao processo de conhecimento afirma: A abordagem dessas questões dificilmente poderá ser feita fora do âmbito da transdisciplinaridade. Está claro que transdisciplinaridade não constitui uma nova filosofia, uma nova ciência metafísica nem uma ciência da ciência. Muito menos uma nova postura religiosa. Nem é, como alguns insistem em  mostrá-la, um modismo. O essencial na transdisciplinaridade reside na postura de reconhecimento de que não há espaço nem tempo culturais privilegiados que permitam julgar e hierarquizar como mais corretos – ou mais certos ou mais verdadeiros – os diversos complexos de explicações e de convivência com a realidade. A transdisciplinaridade repousa sobre uma atitude aberta, de respeito mútuo e mesmo de humildade com relação a mitos, religiões e sistemas  de explicações de conhecimentos, rejeitando qualquer tipo de arrogância ou prepotência.

As variadas leituras e a oportunidade ímpar de debates aprofundados nas sessões de  leitura , de que resultou este trabalho introdutório, nos levam a conceituar a interdisciplinaridade tendo em vista sua natureza, sua amplitude, suas relações com os outros métodos, suas causas e seus efeitos.

 

15 - Transdisciplinaridade não é novidade

 

Por uma retrospectiva histórica em algumas civilizações podemos colher o que nos é indicado nos escritos dos povos abaixo citados.

Dos egípcios, a Tábua de Esmeralda[52], de Hermes Trimegisto, uma das leituras sugeridas para as iniciações místicas, traz indicações de uma abordagem transdisciplinar do conhecimento, pois, na forma genérica em que é apresentada, induz ao reconhecimento de que há um conjunto de verdades genéricas, a serem adotadas como princípios comuns a todos os campos de aprendizagem. Ou seja, há um eixo comum nos campos do conhecimento.

Uma observação mais atenta nos faz entender as fontes metodológicas que vêm pelo  autoritarismo e pelo misticismo, verificadas logo no primeiro dos enunciados, cuja validade se estenderia a todos os campos do conhecimento. Anuncia um  princípio geral ( como todas as coisas têm sido e são vindas de Um, pela meditação de Um: assim todas as coisas  são nascidas desse coisa única, por adaptação), conduzindo as abordagens por comparação e investigação que sugere a  metodologia transdisciplinar, acena assim com a tomada de consciência que designamos conhecimento.

A transdisciplinaridade entre caldeus, assírios e babilônios, é sugerida em escritos compilados por volta de 165 a.C., e que foram atribuídos ao Profeta Daniel (ca. 600 a . C.),  no Velho Testamento, quando relatou: E em toda  matéria de sabedoria  e de inteligência, sobre  que o rei lhes fez perguntas, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos ou astrólogos que havia em todo o seu reino. E Daniel esteve até o primeiro ano do rei Ciro.(Daniel,1:20-21)

Tihauanaco, situado no Altiplano Boliviano, próximo de Guaqui e  cerca de uma centena de quilômetros de La Paz,  era um centro de peregrinações místicas dos povos sul-americanos pré-colombianos  do Altiplano Andino. Alguns historiadores comparam o valor místico de Tiahuanaco ao de Delfos, na Grécia. Supõem que em Tihauanaco teria existido um oráculo de muita sabedoria e entendimento. O sentido transdisciplinar que caracteriza as peregrinações místicas é resultante dos vários métodos de abordagem do conhecimento, começando pelo misticismo, passando pelo autoritarismo, pragmatismo, empirismo, ceticismo, racionalismo, amorosidade e intuicionismo  como expressão final do sucesso. Tais peregrinações  reúnem na Unidade de um Deus Superior e da canalização do conhecimento do Ser Divino via do oráculo,  que traduziria  a essência do pensamento da forma que designamos transdisciplinar, isto é, não sujeita aos limites de uma forma única de abordagem do conhecimento, representada em linguagem críptica que pode ser interpretada com apoio na amplitude de vários pontos de vista e ao mesmo tempo é expressa de forma sintética.

Entre helênicos, principalmente Homero (ca. 850 a.C.), Hesíodo (séc. VIII a.C.) , Pitágoras (ca.570-480 a.C.) , Parmênides de Eléa (515-440 a.C.) , Demócrito ( 460-370 a.C.), Heráclito de Éfeso (550-480 a.C.), Anaximandro (610-547 a.C.), Xenófanes de Colofonte ( final séc. VI a.C.), Platão ( 427-327 a.C.), Aristóteles (384-322 a.C.), Euclides ( séc. III a.C.), Epicuro (341-270 a.C.) e muitos outros de igual importância, abordaram o conhecimento de forma transdisciplinar, não se atendo a qualquer campo específico, ou seja, não restringindo sua abordagem cognitiva a disciplinas específicas. Dos nomes acima mencionados, Euclides destaca-se com visão mais dirigida à Geometria e à Matemática figurativa, sem todavia perder o sentido transdisciplinar de suas observações, que sempre recorrem ao empirismo como método cognitivo indispensável. Todos eles se socorrem tanto das observações empíricas, como das experiências, tanto buscam o sentido pragmático supostamente revelado pelos mitos e pelo misticismo, como argúem o ceticismo, o racionalismo, à amorosidade, à intuição como à autoridade dos que os antecederam.

Na manifestação dos Vedas, como processo cognitivo anunciado pelo Hinduísmo, é possível fixar quatro fundamentos em torno dos quais fica sugerida a transdisciplinaridade. Os textos foram obtidos a partir de uma tradição oral que remonta aproximadamente entre 2000 a 500 a.C., sendo reconhecidos por sua origem  a partir de 1850 a.C. Apenas uma parte foi salva da ação do tempo, das guerras e das mudanças sociais. A atividade místico-religiosa era concentrada  em certos grupos ou escolas, que foram subdivididas desde o início de seu reconhecimento. Apenas as informações que sobraram nos textos encontrados incorporaram-se historicamente e podem, atualmente, ser estudadas com um mínimo de rigor intelectual. Os escritos mais importantes são também os mais antigos, que foram cultivados e  conservados pela tradição. A coleção de quatro deles é designada Samhita: Rigveda[53], Yajurveda[54], Samaveda [55]e Atharvaveda[56]. Quando nos referimos aos Vedas também estamos incluindo, genericamente, a literatura posterior, que é acessória dos quatro livros principais.  Os Samhitas,  Brahamanas, Aranyakas e Upanishads formam o Shruti,  ou seja, o coração das revelações divinas expressas literariamente. O fundamento desses escritos atende aos pressupostos transdisciplinares que nos animam, a saber: a) todo o Universo está sujeito a um único princípio ordenatório , ou seja, há um axioma comum a todos os campos do conhecimento, tomado como eixo do conhecimento;  b) há uma Unidade na Natureza, que identifica a visão holística do Universo; c) há vários métodos de abordagem das divindades, assim entendidas as deidades projetadas a partir das diferentes paixões humanas e que devem ser aproveitados nas práticas mítico-religiosas, e que induzem à compreensão dos  Rta e  do Carma.

A recomendação de Budha é concentrada na ação em busca do termo de equilíbrio. É essencialmente transdisciplinar, indicando o racionalismo como método próprio para a descoberta do termo médio das soluções possíveis como o mais próximo da melhor solução.

Lao Tsé e Confúcio, ambos cronologicamente situados nos séculos VI e V a.C., sintetizam, há dois mil e quinhentos anos, os pólos entre os quais o pensamento chinês tem definida a sua nacionalidade. O extremado respeito e  amor à Natureza e aos ancestrais, designado por Taoísmo, identifica a idéia da unidade presente no processo de vida  natural que anima os seres vivos, especialmente o homem, e é sustentado pelas mensagens de Lao Tsé. Pela prática das prescrições contidas em a Ciência dos Ritos e Rituais, essência do Confucionismo, ergueu-se e solidificou-se a nacionalidade do povo que, como nação, é hoje o mais constante da História do Homem nos últimos quatro mil anos. O sentido da unicidade universal, incluídos a Natureza e os rituais de vida, sugere a transdisciplinaridade que transparece em todo pensamento chinês, sempre sob uma visão abrangente e superior, livre das amarras da unidisciplinaridade.

Entre medas e persas, ainda que apoiada no dualismo, a transdisciplinaridade acentua-se no misticismo integracionista de Zoroastro, consubstanciado no Mazdeísmo e no Zurvanismo, que trazem uma visão genérica do mundo e do universo, e das disputas transitórias entre os reinos da Luz, regido por Ormuzd, e o das Trevas, por seu irmão Ahriman.

Na abordagem dos magos tudo é transdisciplinar e conexo, não havendo notícia de conhecimentos específicos uni ou pluridisciplinares. A idéia da Unidade metodológica integrada nas ações de dois reinos de opostos, não exclui a Unidade axiológica da raiz e dos objetivos comuns, reconhecida no Zurvanismo.

 Sobre a natureza do conhecimento mesoamericano e as formas naturais de sua abordagem indicando métodos transdisciplinares: ...Uma grande parte do que nos restou das primitivas mensagens culturais do povo mesoamericano está contido em glifos indecifrados, reproduzidos no esforço de transmitir para os pósteros, através da linguagem ideográfica, o que não nos veio pela linguagem fonética escrita.[57] Justo é supor, por ora, até prova em contrário  e, especialmente, após visitar o que resta dos documentos históricos mesoamericanos préhispânicos, que a visão do conhecimento era, para eles, sempre originária de concepções genéricas sobre a origem do saber estribada em um eixo comum mitico-religioso, não havendo alternativas que não fossem geradas na experiência, no pragmatismo, no misticismo, no autoritarismo, no racionalismo, na dúvida, na amorosidade e na intuição.

A natureza transdisciplinar da herança histórica dos mesoamericanos, aqui compreendidos Olmecas, Zapotecas, Teotihuacans, Maias e Aztecas,  assim outras muitas etnias, emerge tanto na arquitetura como nos raros textos produzidos pelos padres espanhóis que acompanhavam os conquistadores. Por eles foram gravadas as tradições indígenas em trabalhos preciosos tais como De Orbe Novo Decades, de  Pedro Mártir de Anghiera; Historia Verdadera de la Conquista de la Nueva España, de Bernal Diaz de Castillo   e  Historia General de las Cosas de Nueva España, de Bernardino de Sahagún. Transparece a existência de um eixo comum mítico-religioso, em torno do qual os mesoamericanos  construíram o que se pode designar como a cultura mesoamericana préhispânica. As narrativas dão conta da interligação entre os supostos princípios naturais, da maneira como eram relacionados a todos os acontecimentos, emergindo desta interatividade a idéia de um axioma mítico-religioso comum a todas as formas intelectivas de interpretação fenomenológica. Daí porque parece justo afirmar que na metodologia cognitiva dos mesoamericanos predominavam as características da transdisciplinaridade e da visão holística, ainda que sujeitas à dominância do misticismo. Nestas referências seria injusto deixar passar despercebido o valioso trabalho de Gordon  Brotherston[58] sobre a literatura da América indígena, fonte inesgotável de narrativas e referenciais ao  princípio único de natureza axiológica.

A moderna visão norte-americana que enfoca a metodologia transdisciplinar  está ainda engatinhando. O pragmatismo reveste a própria postura de vida desse povo eclético, de recente formação cultural que ainda não está suficientemente consolidada com traços e características que a diferenciem das demais culturas. As múltiplas e variadas etnias que procuram identificar-se em uma única nacionalidade, num gigantesco trabalho de aculturamento e de produção econômica, encontram fundamentos conflitantes e se condensam heterogeneamente. Mas a origem das nações indígenas, quiçá autóctones, da América do Norte traz também sua influência: as culturas e tradições originárias são todas lastreadas na transdisciplinaridade inata de que eram possuídos os povos e as etnias antes da descoberta.

A revolução industrial e a conquista econômica norte-americanas traduzem de um lado a característica da especialização unidisciplinar, e de outro um esforço generalizado de síntese. As gerações de norte-americanos que escreveram a história dos últimos duzentos anos sobre aquele território, assimilaram caracteres de nomadismo e exagerada especialização nas suas preocupações intelectuais.

A transdisciplinaridade só recentemente tem sido encarada e tomada por objeto de estudos mais aprofundados, podendo todavia emergir como conseqüência natural da própria evolução social e intelectual, como resposta ao avanço tecnológico interdisciplinar,  resultado que é justamente aguardado pelo restante do mundo.

Um exemplo clássico da visão transdisciplinar dos Romanos temos em Vitrúvio[59].  Posteriormente, manifestada durante a Renascença, tanto em Leonardo da Vinci[60]; como em Michelangelo Buonarotti[61],  em Dante Alighieri[62], em  Pico de la Mirandola[63] e tantos outros.

De forma inequívoca o pensamento religioso de judeus, cristãos e muçulmanos é de natureza transdisciplinar.  A unidade do Ser Supremo e a definição de Amor que n´Ele é intrínseco não deixam margem a dúvidas, embora seja certo que o misticismo judaico, como método próprio do seu entendimento como nação e cultura, ambos por natureza teocráticos, acopla-se ao racionalismo, ao autoritarismo, ao pragmatismo, ao empirismo e ao ceticismo,  envolvidos pela amorosidade e animados  pela intuição.


[1] Os trabalhos escritos envolvem a criatividade e/ou a atividade profissional dos autores. Estas regras são fixadas para o melhor uso e aproveitamento dos textos oferecidos, que aqui são recebidos como contribuição pessoal dos autores para informação e reflexão coletivas, permanecendo reservados todos os direitos autorais para reprodução e publicidade sobre os mesmos. Sem expressa autorização do autor não é permitida a reprodução total ou parcial de quaisquer textos, desenhos, esquemas ou diagramas expostos durante as reuniões do NEST. Desde que fazendo referência ao autor e ao nome do trabalho, bem como à instituição e à data em que foram apresentados pela primeira vez, segmentos de  textos não superiores a 30 (trinta linhas ou uma página), poderão ser objeto de reprodução, traslado ou citação em trabalhos jornalísticos,  literários, científicos, teses e dissertações.

[2] Dicionário Novo Aurélio CD-Rom: Método categórico-dedutivo. Filos.  Método dedutivo.Método da máxima verossimilhança. Estat. 1. Método de estimação de parâmetros ou de interpolação, baseado na determinação do máximo da função de verossimilhança de um conjunto de valores obtidos experimentalmente.Método das alturas iguais. Astr. 1. Caso particular do método das retas de altura, em que os astros são observados à mesma altura. Método das épocas superpostas. Astr. 1. Método utilizado na ciência em geral, particularmente na astronomia, e segundo o qual a correlação entre um fenômeno causa e vários outros considerados como efeitos é obtida pela comparação simultânea com a variável independente comum, o tempo. Método das retas de altura. Astr. 1. Método de determinação das coordenadas geográficas de um ponto da superfície terrestre pela utilização das retas de altura [v. reta de altura].Método de Agazzi. Pedag. 1. Método de educação pré-escolar, no qual se utiliza um material empírico para ensinar as crianças a distinguir as formas e as cores e para desenvolver livremente a linguagem. Método de Bouguer. Astr. 1. Método proposto pelo astrônomo francês Pierre Bouguer (1698-1758) para obter por extrapolação o valor da constante solar fora da atmosfera, com base no valor obtido no solo. Método de Bragg. Min.1. Método de investigação da estrutura cristalina dos cristais, mediante o emprego de raios X. Método Decroly. 1. Método de ensino em que as matérias se entrelaçam em torno de uma idéia central, formando um todo homogêneo, ajustado à experiência globalizada e às reações afetivas da criança; método dos centros de interesse. Método de dupla distância. Astron. 1. Dupla-distância. Método dedutivo. Filos. 1. O que emprega unicamente o raciocínio, partindo de princípios considerados como verdadeiros e indiscutíveis; método categórico-dedutivo.Método de Froebel. Pedag.1. Método de educação pré-escolar baseado na auto-atividade interessada. Método de palavras. Pedag. 1. Procedimento didático usado no ensino da leitura, e em que cada palavra é ensinada como um todo, sem prévio estudo de seus elementos fonéticos. Método de Stanislavski. Teat.1. Técnica de adestramento de atores, proposta e usada por Konstantin Stanislavski, ator e encenador russo (1863-1938), e pela qual se começa treinando o ator para que desenvolva plenamente as suas potencialidades psíquicas, a fim de compor e interpretar seus personagens com absoluta verdade interior, pois, segundo Stanislavski, "o que interessa não é a verdade fora do ator, mas a verdade dentro dele". Método direto. Pedag.1. Procedimento didático usado para o ensino de línguas vivas estrangeiras, e que consiste no uso exclusivo, em todos os contatos do professor com os alunos, da língua que está sendo ensinada.Método dos centros de interesse. Pedag. 1. Método Decroly. Método hipotético-dedutivo. Filos. 1. O que admite premissas cuja verdade será julgada a posteriori. Método sintético. 1. Aquele em que se emprega a síntese ou recomposição de um todo pelos seus elementos componentes.

[3] Utilidade [Do lat. Utilitas. tis] S. f. 1. Substantivo que indica como pode usada ou aproveitada a coisa, objeto ou pessoa a que se refere, tendo em vista o interesse e ou a necessidade que define sua relação com os seres humanos. 2. Qualidade de útil; serventia. 3. Indica a possibilidade de vantagem, proveito, lucro. 4. Diz-se da pessoa ou coisa cuja ação, uso ou função atendam ao interesse emergente de algum fenômeno ou relação ética. 5. Idéia de que a coisa ou pessoa a que se refere é própria, por natureza ou aptidão, para satisfazer as alguma necessidade ou aspiração de seres humanos, seja em caráter individual ou coletivo.

[4] A tradição intelectual do ocidente designa por pensadores os que trabalham com as formas de pensar ordenando-as segundo um mínimo de racionalidade, ou seja, de formas de pensar que se sujeitam a princípios de  ordenação por causa-efeito, tendo em vista  antecedente-conseqüente e ou anterior-posterior, subjugando tais observações a supostas comprovações empíricas ou lógicas,  que sejam  concreta ou abstratamente possíveis..

[5] BRÜGGER, Walter. Dicionário de Filosofia. S. Paulo: Herder, 1969

[6] LALANDE, André. Vocabulaire Téchnique et Critique de la Philosophie.  Paris: Quadrige-Presses Universitaires, 1997.

[7] BÖLTING, Rudolf. Dicionário Grego-Português, R.Janeiro: Ed. Ministério de Educação e Cultura, 1953.

[8] epistemh,  hz , (episteme) s.f., ciência, saber, conhecimento, arte. epistemonicos, h, on, (epistemônico), adj. Científico.

 

[9]  Conhecimento. S. m. O verbete, segundo o Novo Aurélio em CD Rom, tem vário significados:: 1. Ato ou efeito de conhecer. 2. Idéia, noção. 3. Informação, notícia, ciência. 4. Prática da vida; experiência. 5. Discernimento, critério, apreciação. 6. Consciência de si mesmo; acordo. 7. Pessoa com quem travamos relações. 8. Com. Documento escrito, declaração ou recibo de que consta ter alguém em seu poder certas mercadorias [V. título de crédito.] 9. Com. Nota de despacho de mercadorias entregues para transporte [V. título de crédito.] 10. Com. Recibo de parcela de contribuição direta. [V. título de crédito.] 11. Filos. No sentido mais amplo, atributo geral que têm os seres vivos de reagir ativamente ao mundo circundante, na medida de sua organização biológica e no sentido de sua sobrevivência. [Cf. experiência (5 a 7).] 12. Filos. A posição, pelo pensamento, de um objeto como objeto, variando o grau de passividade ou de atividade que se admitam nessa posição. 13. Filos. A apropriação do objeto pelo pensamento, como quer que se conceba essa apropriação: como definição, como percepção clara, apreensão completa, análise, etc.  Conhecimento adequado. Hist. Filos. 1. Segundo Leibniz [v. leibniziano], conhecimento distinto cujos elementos, até os mais primitivos, são conhecidos de modo distinto.   Conhecimento aéreo. 1. Documento contratual de transporte aéreo. Conhecimento a posteriori. Hist. Filos. 1. Segundo Kant [v. kantismo], o conhecimento que só pode ser adquirido por meio da experiência; conhecimento empírico. Conhecimento a priori. Hist. Filos.1. Segundo Kant [v. kantismo], conhecimento absolutamente independente da experiência e de todas as impressões dos sentidos. Ex.: o conhecimento de que toda mudança tem uma causa. Conhecimento de bagagem.  Recibo da bagagem de um passageiro, fornecido pelas empresas de transporte.  Conhecimento de carga. Documento comprobativo do recebimento de mercadoria por empresa encarregada do seu transporte (terrestre, marítimo ou aéreo) e que se constitui em título de crédito transmissível por endosso, em virtude da cláusula "à ordem" lançada em seu contexto; conhecimento de frete, conhecimento de transporte. Conhecimento de depósito.  1. Recibo de depósito de mercadorias. 2. Com. Recibo que os armazéns gerais, trapiches ou estabelecimentos similares dão aos depositantes de mercadorias, para certificar o depósito, emitido conjuntamente com o warrant [q. v.], mas dele separável, e que contém obrigatoriamente a cláusula "à ordem", sendo, pois (independentemente do warrant), transferível por meio de endosso.  Conhecimento de  frete.  V. conhecimento de carga  Conhecimento de  transporte.  V. conhecimento de carga.  Conhecimento empírico. Hist. Filos. Sientio1. Conhecimento a posteriori.

[9] Tomás de Aquino sugere que há duas formas fundamentais pelas quais adquirimos o conhecimento: por conaturalidade(sapientia) como dom de Deus; e por estudos das ciências e da doutrina, como resultado do trabalho intelectual do ser  humano.

[9] Com o sentido do que responde às propriedades que definem nossa natureza como seres humanos e pensantes.

[9] Significando o que é compatível e mais ajustado ao momento da decisão.

[9] O que converge para os objetivos; que se ajusta e facilita o seguir adiante.

[10]Apud  Histoire des Litteratures. Paris:Ed. Gallimard,1955, p.1062.

[11] Platão, em  O Banquete, traduz o que  Fedro anuncia: O amor é entre os homens tanto como entre os deuses, uma grande e maravilhosa divindade.

[12] Tomás de Aquino sugere que há duas formas fundamentais pelas quais adquirimos o conhecimento: por conaturalidade (sapientia) como dom de Deus; e por estudos das ciências e da doutrina, como resultado do trabalho intelectual do ser  humano.

[13] Entenda-se por conaturalidade a qualidade que é própria e intrínseca da natureza do ser a que se refere.

[14] Com o sentido do que responde às propriedades que definem nossa natureza como seres humanos e pensantes.

[15] Significando o que é compatível e mais ajustado ao momento da decisão.

[16] O que converge para os objetivos; que se ajusta e facilita o seguir adiante.

[17] MAZZILLI, J.C. Repensando Sócrates. S.Paulo: Ed. Icone,1997,  p.131.

[18] PNL: abreviação de Programação Neuro Lingüística.

[19] GARDNER, Howard. Estruturas da mente- A teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 1994,  p.131.

[20] PLATÃO. Cratylo. (V. trechos em A  viagem em busca da linguagem perdida, S.P. –Peirópolis,1997 p. 408-416).

[21] HEIDEGGER, Martin.  O que é designado pensamento? N.York: Harper&Row Pub. 1999,  p.39.

[22] BROSSO, Rubens. e VALENTE,  Nelson.  Elementos de semiótica. S.Paulo:Panorama, 1999, pp.19 e 20. Rubens Brosso foi um dos fundadores do NEST.

[23] JAKOBSON, Roman. Linguística, Poética, Cinema, S.Paulo:Cultrix. 10.ª ed; p.14).

[24] BROSSO e VALENTE, idem, p.65

[25] WITTGENSTEIN. Ludwig. Tratactus Logico Philosophicus Trad. e introd. Luiz Henrique Lopes dos Santos. S.Paulo: Edusp. 1994. Suas obras estão comprrendidas em duas fases : a primeira, até 1921, em que reuniu suas idéias na obra acima citada. A segunda fase, entre 1922-1951,  quando faleceu. Em estudo que fez sobre os dois períodos,  David Pears, em As idéias de Wittgenstein, S.Paulo:Edusp, p. 14, escreveu: “ Em ambos os períodos o objetivo de Weittgenstein era o de compreender a estrutura e os limites do pensamento e o seu método era o de estudar a estrutura e os limite das linguagem. Sua filosofia era uma crítica de linguagem, muito parecida – em alcance e propósito – com a crítica do pensamento  realizada por Kant. Assim como Kant, Wittgenstein admitia que os filósofos freqüente e não deliberadamente ultrapassam os limites, caindo num tipo de disparate especioso que, parecendo expressar pensamentos genuínos, em verdade não o faz. Desejava ele descobrir a posição exata da linha que divide o que faz sentido do qe não faz sentido, de modo que fosse possível  perceber quando se chega aquela fronteira e parar”.

[26] WITTGENSTEIN. L. Obra citada,   Trad. e introd. Luiz Henrique Lopes dos Santos. S.Paulo: Edusp. 1994, p. 185.

[27] Oportunidade . s. f. 1. Tempo ou instante próprio. 2. Período em que ocorre a possibilidade. 3 Ocasião. 4.Ensejo, lance. 5. Circunstância adequada ou favorável; conveniência.  6. Ocasião que revela conveniência para a ação. 7 Tempo em que se manifesta o fenômeno. 8. Momento propício.

[28] CASSIRER, Ernst. Linguagem e mito. S.Paulo:Ed. Perspectiva. 1992, p.42.

[29] CASSIRER, Ernst. Idem, p. 45.

[30] HUSSERL, Edmund. Meditações Cartesianas – Introdução à fenomenologia. Porto:Ed.Rés, s/d. P.23. 

[31] DALAI LAMA. Uma ética para o novo milênio.Rio de Janeiro:Sextante,2000.p.53.

[32] Breve dicionário etimológico de la lengua española. México: Fondo de Cultra Econômica, 1995, 4.ª ed.

[33] Hachette –le dictionnaire du Français. Paris: Hachette, 1992.

[34] Rio de Janeiro: Ed. Delta, 1974, 3.ª ed.

[35] Peirce, Charles. Como tornar claras nossas idéias. In Revista: Popular Science Monthly, jan.1878. Para os pragmáticos  o significado real de uma idéia  deve ser achado em seus resultados concretos e especialmente nas  conseqüências práticas para a atividade humana.

[36] apud  WEIL, Pierre e outros. Rumo à Nova  Transdisciplinaridade. São Paulo: Summus, 1993, p. 34. (1972)

[37] NICOLESCU, Bassarab. Um novo tipo de conhecimento - transdisciplinaridade. In Educação e transdisciplinaridade. Brasília: Ed. UNESCO,1999, p.14.

[38] TORRINHA, Francisco. Dicionário Latino-Português. Porto: Ed. Maranus, 1945. 3.ª ed.

[39] apud  WEIL, Pierre e outros. Rumo à Nova Transdisciplinaridade. São Paulo: Summus, 1993, p. 33.

[40] apud  WEIL, Pierre e outros. Rumo à Nova Transdisciplinaridade. São Paulo: Summus, 1993, p. 34

[41] NICOLESCU, Bassarab. Um novo tipo de conhecimento - transdisciplinaridade. In Educação e Transdisciplinaridade. Brasília: Ed. UNESCO,1999,  p.14.

[42] NICOLESCU, B. Sciences et Tradition. Paris:Trosième Millénaire, n.º23, 1992,p.83.

[43] PIAGET, J. Psicólogo suíço, iniciou sua carreira por volta de 1920. Desenvolveu uma visão da cognição humana pela qual todo o estudo do pensamento humano deve reconhecer a força que move o indivíduo para que possa entender o  mundo. Ou seja, o indivíduo vive um processo de sucessiva aprendizagem, construindo hipóteses e, por esse meio, buscando aprendizagem e solução para as suas dificuldades.Há um potencial de interiorização e simbolização que atinge intensidade acentuada por volta dos sete ou oito anos de idade. O estágio final de desenvolvimento humano, para Piaget inicia-se na adolescência.Em face das medidas de QI, Piaget mostrou-se cético,  não escondendo a incredibilidade pessoal.

[44] PIAGET, J.  Colloque sur l'interdisciplinarité. Nice:OCDE,1970.

[45] PIAGET, Jean. Investigacionmes sobre la abstracción reflexionante.Buenos Aires:Ed. Huemul,1980. P.257.

[46] WEIL, Pierre e outros. Rumo à Nova Transdisciplinaridade. São Paulo: Summus, 1993, p. 34

[47] WEIL, P., e outros.  Rumo à nova transdisicplinaridade. S. Paulo: Summus, 1993, p. 36 e 40.

[48] LEIBNITZ, Gottfried Wilhelm (1646-1716) Filósofo alemão, nasceu em Leipzig. Descobriu, com Newton, as bases do cálculo diferencial. Imaginou o sistema das Mônadas pelo qual entre a alma e o corpo existe uma harmonia pré-estabelecida. Seu otinmismo está traduzido no adágio que enunciou e reiteradamente repetia: Tudo é para o melhor no melhor dos mundos possíveis.

[49] HEIDEGGER, Martin.( 1889-1976) Filósofo alemão, nascido em Messkirche, na Floresta Negra.  Tornou-se conhecido por seu trabalho Ser e Tempo, parte I,  publicado em 1927, em que procurou o significado do existir, não se deixando levar por argumentos sofisticados da linguagem mas pela observação da situação básica dos homens, ou seja, objetivos e esperanças.  Sucedeu a Husserl  na cátedra em Freiburg. 

[50] WEIL entende que  definir o novo paradigma holístico consiste, então, em encontrar axiomas comuns entre a ciência e a tradição, principalmente nos seus aspectos experiencial e transpessoal. E, ao mesmo tempo, é a procura de uma axiomática transdisciplinar (idem,ibidem).

[51] D´AMBRÓSIO, Ubiratan. Transdisciplinaridade. S. Paulo: Palas Athena, 1997. p.79.

[52] Os supostos doze enunciados atribuídos a Hermes Trimegisto e que estariam contidos na Tábua de Esmeralda[52],  segundo se encontra na literaturas, são:  1- É verdade sem mentira, certo e muito verdadeiro. 2- O que está embaixo é como o que está em cima; e o que está em cima é como o que está embaixo, para fazer os milagres de uma só coisa[52]. 3- E como todas as coisas têm sido e são vindas de Um, pela meditação de Um: assim todas as coisas  são nascidas dessa coisa única, por adaptação. 4- O sol é o pai, a lua é a mãe, o vento a trouxe emseu ventre; a terra é sua alimentadora. O pai de todo o telesmo[52] de todo o mundo está aqui.  5.- Sua força e seu poder é inteiro. 6 - Se ele for convertido em terra, tu separarás a terra do fogo, e, docemente, o sutil do espesso, com grande indústria. 7 - Ele sobe da terra para  céu, e de novo desce à terra, e ele recebe a força das coisas superiores e inferiores. 8 - Terás por este meio a glória de todo mundo; por isso, toda obscuridade será afugentada de ti. 9- Essa é a força de toda força: pois ela vencerá toda a coisa sutil e penetrará em toda coisa sólida..10 - Assim o imundo(in mundo) foi criado. 11- Daqui serão e sairão adaptações admiráveis, das quais o meio[52] está aqui . 12 - Esta e a razão que fui chamado Hermes Trimgisto, tendo as três partes da filosofia de todo o mundo; o que falei sobre a operação do sol está cumprido e acabado.

 

 

[53] O Rigveda, é composto por 1000 hinos endereçados às divindades. A maioria refere-se ao culto Soma. Segue a crença de que os deuses gostam de ser venerados.

[54] O Yajurveda, reconhece que há um princípio natural de ordem, definido por leis que devem ser cumpridas por todos, sejam eles homens ou deuses. Por isso o Yajurveda é também o Veda que contém as fórmulas mágicas aplicadas às diferentes situações. O Yajurveda, diz respeito ao cultivo da vida em suas manifestações genéricas, incluindo o que se pode designar medicina Ayurvédica, ou seja, o receituário para o cultivo da vida com alegria, amor e satisfação no que se experimenta. 

[55] O Samaveda, refere-se ao princípio que define a Unidade da Natureza. Todo o Universo teve sua origem em um Ser Supremo que o governa através de leis que obrigam a todos, tanto a deuses,  homens como as demais manifestações de existência. A idéia da lei fundamental, Rta, evoluiu para a idéia da lei da ação, ou  Carma.

[56] O Atharvaveda, está relacionado aos princípios encontrados no Pitagorismo, (Versos de Ouro) ,  e deu origem ao esforço dos Rsis, sacerdotes védicos para encontrar cânticos, ritos e rituais que pudessem agradar os deuses, dizendo respeito às matérias mundanas  e às formulações mágicas.

[57] KORTE, Gustavo. A viagem em busca da Linguagem Perdida. S.Paulo:Ed.Peirópolis,1997. P. 220

[58] BROTHERSTON, Gordon. La América Indígena em su literatura: Los Libros del Cuarto Mundo. México: Fondo de Cutura Económica.1992.

[59] Vitrúvio (séc.I a.C.) Arquiteo romano. Autor do tratado De architectura, que consta e norteia a arquitetura dos edifícios públicos até o final do século XVIII d.C. Toda sua obra está impregnada de uma visão filosófica nitidamenmte transdisciplinar.

[60] Leonardo da Vinci (1452-1519). Célebre artista da Escola Florentina, Embora tenha sido coroado na arte pictórica, foi  escultor, arquiteto, físico, engenheiro, escritor e músico, campos do conhecimento em que sempre se destacou.

[61] Michelangelo Buonarotti ( 1475-1564) . Nascido em Caprese, na Toscana. Um dos maiores pintores, revelado na Renascença e insuperável, até hoje. Foi pintor, escultor, arquiteto e poeta, mas revelou sempre seus conhecimentos através de manifestações múltiplas  que sugerem a abordagem transdisciplinar. 

[62] Dante Alighieri.(1265-1361). Poeta, escritor e político,  considerado o pai da poesia Italiana. Nasceu em Florença e morreu em Ravenna, onde desempenhou muitas atividades políticas.

[63] Pico de la Mirandola. ( 1463-1494), Nascido no castelo la Mirandola, perto de Módena, foi considerado um grande sábio. Por suas teses em Filosofia e Teologia é reconhecidamente um  humanista.

 

 

A de hoje será:

19.ª leitura:   24-06-02 - Reducionismo e projeções na percepção visual  Texto: Gustavo Korte

Palestrante:Acupunturista João Baldan   Tema: A intuição e a acupuntura

Prezados amigos:

Paz, saúde, amor, alegria e força interior a vocês e a todos os que lhe são caros.

A leitura passada abordou  As formas de comunicação geradas no tato   Texto: Gustavo Korte
Tivemos como palestrante a Escultora Marli Koraicho, que nos falou sobre  A intuição e a comunicação plástica na construção social.

Hoje estamos diante de nossa décima nona leitura do ano. Os escritos apresentados permanecem sob as regras de direito autoral, anteriormente anunciadas[1].  

Na próxima semana teremos a

20.ª leitura:  01-07-02  - As perspectivas do conhecimento transdisciplinar   Texto: Gustavo Korte

20:00 hs. Palestrante:Prof. Dr. Yves Marie Merat – presidente da AFRETI – Association .Française de .Recherches.et Études Transdisciplinaires .Internationales -  tema: Intuição e suas origens genéticas.

21:00 hs. Palestrante:Prf.ªDra. Brigitte Faton- Professora de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade falará sobre A Intuição e a Maternologia – o surgimento de uma nova ciência

 

 

Reducionismo e projeções na percepção visual 

                                                                                                           Gustavo Korte

 

                                                                                      Nomina sunt  consequentia rerum.

                                                                                                                              (Adágio latino, repetido por Dante)

 

I – Método

Quando fazemos referências ao reducionismo queremos, com esse verbete, designar a estrutura de um fenômeno mental específico, que persegue a natureza  pensante do ser humano, e mais especialmente, faz-se presente entre os que vivem no seio das sociedades mais requintadas.

Temos entendido que, mais do que um método, - pois reducionismo não se nos afigura   caminho, trilha nem viela, - o reducionismo é uma estrutura que nos é revelada durante o processo mental em que ocorre a cognição. .

Porque uma estrutura e não um método?

Trabalhamos muito sobre o significado de método, e resumindo esses estudos, dedicamos um capítulo especial ao que entendemos por método e metodologia em nossa Introdução à metodologia transdisciplinar, texto de que, visando consenso conceitual, transcrevemos, a seguir,  algumas citações.

Os entendimentos filosóficos sugerem algumas convergências e tantas outras divergências conceituais. Walter BRÜGGER[2] afirma que: ... Método e sistema perfazem a essência do saber científico no qual o sistema representa o aspecto de conteúdo e o método o aspecto formal. Com maior precisão,  designamos sistema o conjunto ordenado de conhecimentos ou de conteúdo de uma ciência. Pelo contrário, caracterizamos  como método, em conformidade com o sentido etimológico da palavra, ( em grego me odos , atalho, vocábulo composto de  odos , caminho, e meta, junto de, ao lado de; donde “atalho, rodeio”) o caminho seguido para construir e alcançar dito conjunto. Falando de um modo geral, ocupamo-nos metodicamente com um domínio do saber, quando o pesquisamos segundo um plano, pomos em destaque suas peculiares articulações, ordenamos os conhecimentos parciais de acordo com a realidade, os ligamos com rigor lógico e tornamos inteligíveis, consoante os casos, valendo-nos de demonstrações; no final, devemos saber, de todas e de cada uma das coisas, não só o “que são”, mas também “por que são” deste ou daquele modo, por conseguinte, não apenas o fato, mas também a razão do mesmo... A  transferência do método próprio de uma ciência para outra pode falsear  e até inutilizar todo o trabalho; é o que sucede, quando, p. ex., se pretende elaborar a metafísica só com o método da ciência natural. S. Tomás de Aquino prepara já  a nítida separação dos métodos , pela distinção que faz  entre os três graus  de abstração, distinção essa que ele desenvolve ( seguindo a trilha aberta por Aristóteles. Por sobre a abstração física (científico-natural) e a matemática, eleva-se a abstração metafísica que considera o ente enquanto tal.  

André LALANDE[3], explica que a palavra método carreia três significados fundamentais: o primeiro, traduz etimologicamente, “perseguição”(cf. Metercomai); e, por conseqüência, esforço para atender um fim, pesquisa, estudo ; donde se encontram , entre os modernos, duas concepções muito vizinhas , possíveis de distinguir: 1 - Caminho pelo qual chegou-se a um certo resultado, mesmo quando este caminho não estava adredemente fixado de maneira desejada e refletida. Chamamos aqui ordenar, a ação do espírito pela qual, tendo sobre um mesmo sujeito ... diversas idéias, diversos julgamentos e diversos raciocínios, ele os dispõe da maneira mais própria para tornar conhecido esse sujeito. É isto que se chama ainda método. Tudo isso, por vezes, ocorre  naturalmente e algumas vezes melhor quando executado por aqueles que não aprenderam nenhuma regra da lógica em relação aos que as aprenderam. (Lógica de Port Royal, Introdução, 6-7) .  2- Programa regulador para avançar em uma seqüência de operações a serem cumpridas e que assinala certos erros a serem evitados, visando atingir um resultado determinado. No segundo traz o significado de procedimento técnico de cálculo ou de experimentação. “O método dos menores quadrados”. “O método de Poggendorf ” (emprego do espelho móvel para medida de ângulos). E no terceiro significado aporta a idéia de  um sistema de classificação (sobretudo em Botânica: John Ray, Methodus plantarum nova, 1682). É ainda LALANDE quem afirma que a idéia de método é sempre de uma direção definível e que pode ser regularmente perseguida em uma operação do espírito.

DESCARTES aconselha prosseguir... levando em conta as  considerações e as máximas  a partir  das quais formei um método, pelo qual me parece que eu tenho um meio de aumentar por degraus o meu conhecimento e de elevar pouco a pouco a um ponto mais alto que a mediocridade de meu espírito e a curta duração da minha vida me permitam atingir ( Discurso do Método, I, 3) .

Rudolf  BÖLTING[4] em seu Dicionário Grego-Português, esclarece:

meOodos, on . Substantivo fem. caminho, via, regra. meOodios, confinante. meOod (e) (a, as)   embuste, cilada, fraude, engano. meOodicoths, htos, f., método, sistema, regra, ordem pedagógica, modo de proceder, costume, via. Mais adiante BÖLTING ensina que o advérbio grego  meta , escrito com a letra grega  tau (Te não com teta (Q ),  antes mencionado por Brügger, traz vários significados tais como  no meio, entre, além;  como preposição e genitivo, quer significar entre, no meio, no lado de ,junto com, sob, em, conforme; como preposição e acusativo significa depois de, para dentro, segundo, conforme, entre.

Resta observar na referência etimológica que metadw,  significa perseguir, o que é diferente demeQodos,on,  caminho, trilha, roteiro, cujo radical é escrito com teta (Q) e não tau (t ), onde o prefixo meta traz o significado de objetivo a ser atingido. Por método, convém repetir, entendemos o caminho, a trilha e os marcos do pensamento que indicam as diretrizes do procedimento intelectual.

 

2. – Processo

O verbete processo, com origem direta do Latim, processus, contém a idéia  do  que segue adiante, do que avança no eixo do tempo. Em realidade, em pesquisa mais acurada, o verbete exibe uma origem etimológica mais distante. Sem risco de erro, pode-se afirmar que  seu significado tem a ver com a palavra grega proodoz (leia-se próodos) que traduz progresso, progressão, avanço.

O reducionismo se nos afigura, por tais entendimentos, uma seqüência de procedimentos via dos quais o ser humano pretende avançar na ação de conhecer.

Duas vontades constituem, em essência,  as forças geradoras do processo reducionista: uma vontade de  conhecer, presente no fenômeno de forma  consciente ou inconsciente, e uma vontade de avançar e seguir adiante, ou seja, fazer do conhecimento um outro processo, torná-lo um fluxo de idéias. Tais forças sinalizam o nível de  subserviência do ser pensante ao sentido dinâmico que é inerente às  naturezas tanto do ser humano como do próprio processo de conhecimento..

André Lalande, na obra citada, designa processo à seqüência de fenômenos que apresentam uma certa unidade ou se reproduzem com uma certa regularidade.  Refere-se (o verbete), sobretudo, a fenômenos fisiológicos, psicológicos ou sociais, e mais raramente, a fenômenos físicos. 

 

3 –Estrutura

Observo que, nestas últimas leituras, temos nos servido, com alguma freqüência, do vocábulo estrutura. Somos levados a intuir essa presença vocabular como um sinal de que devemos atentar e focalizar o significado dessa palavra..

Os verbetes estrutura e estruturalismo mereceram de José Ferrater Mora, em seu Diccionário  de Filosofia de Bolsillo (Madrid:Alianza Editorial, 1993), nada menos que sete páginas. Ou seja, num pequeno e modesto dicionário de filosofia são dedicadas não umas poucas linhas mas cerca de sete páginas para trazer a explicação do que se procura transmitir via da palavra estrutura.

Transcrevemos a seguir algumas referências de Ferrater Mora, visando dar embasamento mais sólido a nosso entendimento.

Estructura. Es común introducir informalmente en matemática el concepto de estructura como un conjunto de elementos, tales como 0 y 1, y una o más operaciones, tales como las indicadas por "+" o por "+" y "-". La estructura es descrita por todas las operaciones que pueda describir-se usando el operador o los operadores seleccionados.

Assim, quer-nos parecer inicialmente que o vocábulo estrutura aporta um significado abstrato, referindo-se, de fato, ao que podemos reconhecer como forma estruturada  de pensar, contida nos limites funcionais em que se encontram o observador e o operador (ou operadores) que integram o processo designado como pensamento. A forma de pensar, aproxima-se, portanto, de uma redução projetiva dos próprios contornos  em que ocorre o fenômeno cognitivo que designamos  pensamento.

Ferrater Mora continua:

Se han opuesto  estructuras formales a informales o concretas, y se ha hablado de estructuras físicas, biológicas, psicológicas o sociales. Suele considerarse que las estructuras concretas tienen propiedades específicas, aunque pueden también describirse en términos formales.

Las definiciones filosóficas del concepto de estructura son intentos por hallar propiedades comunes  en estructuras concretas, fundamentalmente en aquellas que atañen a un ámbito determinado  de objetos. Se han formulado dos tipos de definiciones: Por un lado se entiende por "estructura" algún conjunto o grupo de elementos relacionados entre sí, según ciertas reglas, o algún conjunto o grupo de elementos funcionalmente correlacionados. Los elementos en cuestión son considerados como miembros  más bien que como partes. El conjunto o grupo es un todo y no una "mera suma". Así, los miembros de un todo de esta índole cumplen los requisitos  sentados por Husserl para los "todos": están enlazados entre sí de forma que puede hablarse de no independencia relativa de unos con otros y también de compenetración mutua. Por eso en la descripción de una estructura de esta índole salen a reducir vocablos con "articulación", "compenetración  funcional " y, a veces," solidaridad".

Por otro lado, una estructura  puede entenderse como un conjunto o grupo de sistemas. La estructura no es entonces una realidad "compuesta" de miembros; es un modo de ser de los sistemas, de tal modo  que los sistemas funcionan en virtud de la estructura que tienen. Así, puede haber varios  sistemas, digamos, A, B, C, que difieran por su composición material, pero que ejecuten funciones distintas, sean significativamente comparables, es decir,  funciones tales que tengan significaciones correlativas.

Uno de tales sistemas puede servir de modelo al otro - como el paso de un fluido por un canal puede servir de modelo para el tráfico rodado en una carretera, y viceversa.  Puede haber también. y se espera generalmente que haya, reglas de  transformación que permitan pasar de un sistema a otro.

La noción de estructura ha sido entendida en los dos sentidos indicados antes, pero con tendencia a adoptar el segundo, que es, además, el  propio de los que se consideran como estructuralistas.

Los modos de entender la noción de estructura  varían según los tipos de investigación llevadas a cabo. Uno de los más importantes y influyentes usos de dicha noción se encuentra en la psicología, dentro de la llamada Gestaltpsychologie, expresión que ha sido traducida a veces por " psicología de la estructura ", y a veces por " psicología de la forma ". El "gestaltismo", como se lo llama asimismo, es una de las grandes manifestaciones del estructuralismo del siglo XX y ha contribuido al florecimiento de éste tanto por lo menos  como las concepociones estructurales lingüísticas, a partir  ya de Ferdinand de Saussure...

Como se pode ver do texto transcrito, quando falamos de estrutura e estruturalismo queremos aportar a idéia da transcendência que se manifesta nas formas de pensar  que ditam e comandam o conjunto ou grupo de elementos que integram os sistemas.

De fato, a estrutura  é mais do que a soma dos sistemas. Ela transcende as percepções materiais, empíricas e diretas. Ela sobrepõe-se à idéia das coisas e dos elementos materiais que compõem os sistemas.

Nós estamos dando atenção às formas visuais de percepção.

Tomamos assim consciência de que a visão traduz-se em forma de percepção extremamente redutora, pois, à medida que a acuidade visual vai sendo aprimorada, e queremos ver com mais precisão o objeto da observação, nós nos afastamos da visão contextual. Procuramos reduzir o campo observado e concentrar nossa atenção no objeto. Quanto mais reduzirmos o campo da observação, tanto maior será nossa acuidade visual. Simultaneamente, processa-se, nesse procedimento, a redução dos  contornos em que vão sendo mais bem definidos os limites a que nos sujeitamos quanto à ordem de grandeza em que ocorre o fenômeno observado..

Acredito mesmo que a visão é um dos sentidos mais redutores de que dispõem alguns dos seres vivos. A visão acurada exclui o objeto observado de seu contexto. Isola-o. Limita-o. Dá-lhe contornos excludentes do todo.

Além de tudo, a experiência nos tem ensinado que somos imprecisos nas observações visuais. Quando vemos, de fato, usamos os recursos do nosso aparelho visual, que integra o sistema da visão, mas visando  perceber as estruturas que transcendem o objeto da observação

Vemos sistemas em funcionamento, mas um impulso que integra a nossa natureza leva-nos a  processar a busca da estrutura que está além, que é transcendental ao sistema observado..

 

4- Sistema.

 Importa indicar diferenças entre método e sistema. Quando falamos método recebemos logo a idéia de um caminho, que liga ou permite a relação dinâmica de movimento entre um ponto de saída e um ponto de chegada.

Peço vênia para reproduzir o que já escrevemos a respeito e se encontra na acima referida Introdução à metodologia transdisciplinar.

Sistema envolve muito mais do que o mapeamento de um caminho. 

Sistema[5] é o verbete com que designamos a somatória de elementos, partes e partículas, movimentos, fluxos e refluxos, que aportam uma utilidade ou funcionalidade que pode ser mútua ou  recíproca, via de cujo conhecimento podemos identificar ou chegar a determinados objetivos.

Quando verificamos um sentido identificado pelo pragmatismo, em determinados órgãos, funções ou processos, e abordamos a significação desse conjunto heterogêneo, mas onde as partes funcionam, agem, interagem,  existem e operam juntas, então não falamos de um método mas de um sistema.

Os enunciados, como diria Morris[6], em Semiótica, são os interpretantes  de um sistema. Referem-se a relações causa-efeito ou a expressões  antecedente-conseqüente, pelas quais  podem ser reconhecidos os conjuntos de elementos que o integram.

Os sistemas, atendendo ao sentido pragmático com que identificamos o funcionamento do conjunto a que se referem, podem ser simples ou complexos, primitivos ou derivados, abstratos ou concretos, vivos ou inanimados, auto-suficientes ou dependentes. Podemos considerá-los fictícios na medida em que se adstrinjam a conhecimentos hipotéticos.

Os sistemas são enunciados pelo conhecimento humano a partir de experiências, constatações, ou por hipóteses geradoras de crenças justificadas.

Acreditamos que há um sistema solar em que o sol é o centro e em que os planetas giram a seu redor e acreditamos que vivemos nesse sistema.  Se o cético põe em dúvida essa crença, a maioria dos atuais homens de ciência repele a atitude. Mas podemos convir que, podemos estar sujeitos a regras mais dominadoras que as que regem o sistema solar, e efetivamente, poderíamos afirmar que as leis que regem o espaço macrofísico, assim como o microfísico,  são outras que não as anunciadas por Newton e Galileu, nem pelos indicadores da física quântica, mas dizem respeito  muito mais aos campos eletromagnéticos e às vibrações de natureza igual ou semelhante ás que ocorrem em nosso sistema nervoso. E, a partir da hipótese, que supomos fictícia, poderíamos concluir que o sistema solar apenas aparentemente é um sistema, mas de fato, é tão somente um minúsculo órgão, assistemático, que serve como sistema apenas diante do pensamento humano.

A idéia de sistema é sempre revelada em relação a um determinado conjunto-universo. O conjunto universo é sempre uma ficção elaborada pela mente humana. Na medida em que esse universo hipotético se reduz ou se amplia, o processo de sua identificação pode tornar-se inválido. E, conseqüentemente, os supostos fundamentos de verdade em que está estruturado podem ser convalidados, invalidados ou excluídos.

Daí porque, quando falamos em métodos de abordagem do conhecimento podemos entender a possibilidade de que cheguemos a elaborar ou enunciar um sistema, mas, de fato, em relação à metodologia, os sistemas são contingenciais, isto quer dizer, podem ou não ser revelados, reconhecidos, descritos ou identificados.

Os métodos podem ou não levar a sistemas, podem ou não levar a sínteses.

Se a crença científica em relação ao sol, planetas e luas for constatada como  falsa, e for verificado que o que designamos por sistema solar é, na realidade, um conjunto de elementos assistemáticos, teremos que a idéia de um sistema solar não passaria de uma ficção em si mesmo.  

Da mesma forma que ocorre com os métodos, há grande número de sistemas utilizados e estudados em várias disciplinas e nos mais diversos campos do conhecimento.

Tendo em vista as dificuldades ocasionais do leitor que não dispõe de um dicionário à mão, em caso de procurar reconhecer diferenças entre métodos e sistemas, passamos a enunciar os nomes de alguns dos significados de sistemas e os campos em que são utilizados ou reconhecidos como ferramentas de trabalho intelectual.

No rodapé, cada um dos sistemas referidos pelos dicionaristas é explicitado em conformidade com as informações  trazidas  pelo dicionário Novo Aurélio em CD-ROM, da Editora Nova Fronteira, obra a que usualmente recorremos: Sistema aberto[7]; Sistema afocal[8]; Sistema anglo-norte-americano[9]; Sistema aplanético[10]; Sistema artificial[11]; Sistema astigmático [12];  Sistema autocolimador[13].; Sistema binário[14];  Sistema Braille[15]; Sistema cartesiano[16];  Sistema CGS[17] ; Sistema CGS eletromagnético[18]; Sistema CGS eletrostático[19]; Sistema cilíndrico[20]; Sistema compatível[21]; Sistema conservativo[22]; Sistema copernicano[23];  Sistema cristalino[24]; Sistema cromático[25]; Sistema cúbico[26]; Sistema de barracão[27]; Sistema decimal[28]; Sistema de comunicação[29]; Sistema de controle automático[30]; Sistema de coordenadas[31]; Sistema de equações[32]; Sistema de logaritmos[33]; Sistema de numeração[34]; Sistema de processamento[35]; Sistema de processamento de dados[36]; Sistema de referência[37]; Sistema Didot[38]; Sistema dissipativo[39]; Sistema duodecimal[40]; Sistema especialista[41]; Sistema executivo[42]; Sistema extragaláctico[43]; Sistema fechado[44]; Sistema filogenético[45]; Sistema Fournier[46]; Sistema gaussiano[47];Sistema geocêntrico[48]; Sistema Giorgi[49]; Sistema heliocêntrico[50]; Sistema heterogêneo[51]; Sistema hexagonal[52]; Sistema homogêneo[53]; Sistema indeterminado[54]; Sistema internacional de unidades[55].; Sistema isolado[56]; Sistema isométrico[57]; Sistema kepleriano[58];  Sistema linear[59] ; Sistema métrico decimal[60]; Sistema MKS[61]; Sistema monitor[62]; Sistema monoclínico[63]; Sistema monométrico[64];  Sistema MTS[65] ; Sistema não-linear[66]; Sistema natural[67]; Sistema nervoso autônomo[68]; Sistema nervoso central[69]; Sistema nervoso da  vida vegetativa[70];Sistema nervoso vegetativo[71]; Sistema octal[72]; Sistema on-line[73]; Sistema operacional[74]; Sistema ortorrômbico[75];  Sistema planetário[76]; Sistema presidencial[77]; Sistema polar[78]; Sistema ptolomaico[79]; Sistema quadrático[80];  Sistema racionalizado[81]; Sistema reticuloendotelial[82];  Sistemas analógicos[83];  Sistema sexagesimal[84]. Sistema sexual[85]; Sistema solar[86] ; Sistema Taylor[87];.Sistema telescópico[88];  Sistema temperado[89] ; Sistema tetragonal.[90] Sistema triclínico[91];  Sistema trigonal[92].

5 - Sistema vivo

Fritjof Caberá, ao trabalhar com a idéia de sistemas, reconhece duas correntes fundamentais que fluem pelos limites do pensamento científico, através das quais pretende-se explicar o que é designado por sistema vivo. Afirma, citando como fonte os estudos de Haraway:

Antes que o organicismo tivesse nascido, muitos biólogos proeminentes passaram por uma fase de vitalismo, e durante muitos anos a disputa entre mecanicismo e holismo estava enquadrada como uma disputa entre mecanicismo e vitalismo. ..(...)...Tanto o vitalismo como o organicismo opõem-se  à redução da biologia à física. Ambas as escolas afirmam que, embora as leis da física e da química sejam aplicáveis aos organismos, elas são insuficientes para uma plena compreensão do fenômeno da vida. O comportamento de um organismo vivo como um todo integrado não pode ser entendido somente a partir do estudo de suas partes. Como os teóricos sistêmicos enunciariam várias décadas mais tarde, o todo é mais do que a soma das partes[93]...

Capra recorre ao empirismo científico traduzido nos conhecimentos biológicos,  à autoridade de cientistas como Haraway, e ao pragmatismo característico dos pensamentos referentes a sistemas. Assim, procura traduzir a utilidade do serviço prestado pelas formas de pensar quando, sistematizadas, mas não necessariamente sistêmicas, servem a determinados métodos. E, finalmente, via do ceticismo, no caso antimecanicista, apóia-se no racionalismo para induzir à conclusão anti-reducionista  de que o todo é mais do que a soma das partes. E explica:

Os vitalistas e os biólogos organísmicos diferem nitidamente em suas respostas à pergunta: "Em que sentido exatamente  o todo é mais que a soma das partes?" Os vitalistas afirmam que alguma entidade, força ou campo não-físico, deve ser acrescentada às leis da física e da química para se entender a vida. Os biólogos organísmicos afirma que o ingrediente adicional é o entendimento da "organização", ou das "relações organizadoras".

Capra, ainda afirma que:

 ...Desde o início do século, tem sido reconhecido que o padrão de organização de um sistema vivo é sempre um padrão de rede. No entanto, também sabemos que nem todos os sistemas de rede são sistemas vivos...[94]

Para deixar mais acentuada a diferença entre método e sistema, pode-se observar que não é próprio falar em métodos vivos ou métodos inanimados, mas em métodos eficientes ou ineficientes, que são ou não são utilizados, que  levam ou não ao conhecimento.

 

6 -  O que é metodologia

Somos induzidos a pensar que não há conhecimento fora de uma sistematização metodológica nem que possa estar distanciado de marcos reconhecíveis. E a observação nos leva a afirmar que todo conhecimento é relativo. Ou seja, não se caminha metodicamente sem que antes tenha sido traçado um trajeto, ou, quando menos, esboçada uma trilha.

Esta idéia conflita, todavia, com a experiência humana, pois a revelação  do conhecimento pode dar-se tanto no desbravamento de novos espaços nos campos do saber como durante ou no final do percurso. Conhecer sugere um processo em que, pelo trabalho das formas de percepção, a mente humana se propõe chegar a um objetivo que, supostamente, vai satisfazer a vontade que a anima.

Tendo origem no verbete grego méthodos, metodologia traduz a idéia de ordenação, seqüência,  arte, estudo, técnica, processo. O Novo Aurélio acentua três significados principais: arte de dirigir o espírito na investigação da verdade; na Filosofia, estudo dos métodos e, especialmente, dos métodos das ciências; na Literatura, como um conjunto de técnicas e processos utilizados para ultrapassar a subjetividade do autor e atingir a obra literária.

Os estudos metodológicos, muitas vezes, conduzem à própria Epistemologia. Torna-se oportuno questionar se, para chegar ao conhecimento, é possível utilizar vários métodos ou nos bastará apenas um. Também suscita a questão fundamental se um ou vários métodos podem conduzir à falsidade do que supomos ser juízos de conhecimento. Os estudos desenvolvidos anunciam, de um lado a complexidade e a teia em que se entrelaçam os procedimentos metodológicos e, de outro, que há muitos caminhos que devem ou podem ser percorridos na direção do conhecimento, sem que entre si sejam, necessariamente convergentes, colidentes ou exclusivos[95]

Acreditamos que o processo mental ocorre respeitando umas estruturas orgânicas, que se revela por sistemas múltiplos e integrados,  de natureza biopsíquica, neuro-fisiológica e físico-eletromagnética. É o conjunto que dirige esse processo, onde podemos reconhecer uma  estrutura mental, o que dá suporte ao que designamos sistema cognitivo.

 

7 - O reducionismo

As nossas formas de percepção traduzem reduções que ocorrem a partir das sensações. Somos levados a pensar que o reducionismo integra a natureza humana, condicionando a estrutura que monitora e gerencia todo o sistema cognitivo. Esse reducionismo converte-se no trabalho intelectivo rotineiro e tem por  função estrutural tornar possível ao ser humano ajustar-se à realidade de um contexto universal nos limites ditados pela ordem de grandeza de seus atributos pessoais. O reducionismo facilita, norteia e desenvolve o processo cognitivo.  Deste processo resulta o enfoque que, se de um lado, aumenta a acuidade sensitiva do observador, por outro reduz e delimita  o campo das observações, obstruindo a visão holística que nos seduz.

Duração, intensidade, quantidade, extensão, volume, temperatura, odor, gosto,  ritmo, altura, densidade, massa são grandezas que identificam a natureza dos elementos de informação que nos são acessíveis pelos sentidos e que, quando numericamente quantificadas, possibilitam a compreensão dos limites da ordem de grandeza em que vivemos..

No exercício das formas de percepção, tratamos de perceber e traduzir em nível de consciente tais grandezas. Muitos designam esse processo por conscientização. O processo sensitivo pelo qual opera o sistema da visão obedece também a tal estrutura.

Assim como a visão, as experiências sensíveis tanto como as imaginárias são evocadas em face dos níveis de relacionamento entre os fenômenos e o sujeito pensante. Sabemos que existem processos de conhecimento que não se operam pelas vias discursivas, nem pela língua falada nem pela decodificação da escrita. Cremos que os  processos de conhecer e pensar também estão sujeitos à extensão e à intensidade dos campos eletromagnéticos em que se acumulam as idéias e os símbolos  via dos quais elas são expressas.

Na seqüência desta crença somos levados a afirmar que as formas de percepção visual se manifestam quando provocadas pelas sensações luminosas que atuam sobre o sistema de visão. São estimuladas  por fenômenos óticos aos quais, como formas de pensar correlatas, quiçá estruturais, devem corresponder um ou mais campos eletromagnéticos. Nestes, como sistemas eletromagnéticos interligados, estão contidos os campos de mesma natureza que  acumulam sinais, símbolos e experiências acústicas. E acreditamos que, às formas visuais de percepção correspondem extensões de memória contidas em campos eletromagnéticos. De forma não suficientemente esclarecida, nesses campos,  referidas formas visuais quedam-se reduzidas,  podendo ser evocadas, a partir delas,  algumas de nossas  experiências reveladas pelo sistema de visão.

Também aqui  a intuição nos leva a acreditar que as percepções decorrem de uma estrutura eletromagnética em que se pode imaginar a existência de um filtro de memória visual cujo funcionamento é por demais evidente para que possa ser negado. 

Da ordenação das características dos processos de percepção consolida-se a suposição de que os filtros de memória dos sistemas sensoriais têm função redutora em face dos sentidos. Por essa função, o sistema cognitivo de base empírica possibilita a fixação dos contornos e da grandeza dos fenômenos que dizem respeito à sobrevivência do ser humano.

Daí o entendimento de que, quanto à duração, a memória visual, como todas as demais,   pode ser permanente ou provisória. A prática sugere que há fenômenos de memorização de curta, média e longa duração. Podemos mesmo sugerir que a memória permanente se caracteriza pela potencialidade de recorrer a campos eletromagnéticos de contornos mais definidos e de maior intensidade. Em contrapartida, a memória provisória é potencialmente mais difusa e menos intensa. Acreditamos que todo processo de conhecimento que ocorre provocado pelos sentidos   está sujeito à extensão, à densidade e à intensidade dos campos eletromagnéticos em que se acumulam as idéias e os símbolos visuais.

Esta oportunidade exige de nós uma constatação: somos capazes de reconhecer símbolos meramente visuais. Ou seja, em nossa memória, temos codificados símbolos e signos visuais que transmitem mensagens ao longo do tempo. Tal codificação rompe a idéia de que a percepção que decorre da visão está presa à simultaneidade da comunicação entre os seres  humanos. 

  Observamos que signos, símbolos e sinais gráficos, via de uma linguagem simbólica visual,  os seres humanos conseguiram vazar o tempo cronológico, avançar pelo futuro e reportar-se ao passado. Da mesma forma que nos fenômenos acústicos, em que tornou-se possível a transmissão das composições melodias pelos símbolos gráficos e das execuções musicais pelas gravações acústicas, fora da linguagem discursiva idiomática, as mensagens visuais suscitam a evocação de regras de harmonia e melodia. também elas podem contribuir para o cultivo de nossas faculdades estéticas, como podem comunicar os horrores que nos são propiciados pelas percepções visuais.

O direcionamento desta abordagem visou tão somente propiciar a revelação de alguns dos múltiplos elementos  que caracterizam a estrutura do sistema de visão humana.

O reducionismo de que se servem as formas visuais de percepção sinaliza, todavia, via dos símbolos e sinais revelados pelo sistema de visão, que há estruturas maiores. E, paradoxalmente, sugere que temos possibilidade de acesso cognitivo a fenômenos universais,  não limitados à ordem de grandeza dos fragmentos que nos chegam do universo pelos nossos sentidos.

 

 


 

[1] Os trabalhos escritos envolvem a criatividade e/ou a atividade profissional dos autores. Estas regras são fixadas para o melhor uso e aproveitamento dos textos oferecidos, que aqui são recebidos como contribuição pessoal dos autores para informação e reflexão coletivas, permanecendo reservados todos os direitos autorais para reprodução e publicidade sobre os mesmos. Sem expressa autorização do autor não é permitida a reprodução total ou parcial de quaisquer textos, desenhos, esquemas ou diagramas expostos durante as reuniões do NEST. Desde que fazendo referência ao autor e ao nome do trabalho, bem como à instituição e à data em que foram apresentados pela primeira vez, segmentos de  textos não superiores a 30 (trinta linhas ou uma página), poderão ser objeto de reprodução, traslado ou citação em trabalhos jornalísticos,  literários, científicos, teses e dissertações.

[2] BRÜGGER, Walter. Dicionário de Filosofia. S. Paulo: Herder, 1969

[3] LALANDE, André. Vocabulaire Téchnique et Critique de la Philosophie.  Paris: Quadrige-Presses Universitaires, 1997.

[4] BÖLTING, Rudolf. Dicionário Grego-Português, R.Janeiro: Ed. Ministério de Educação e Cultura, 1953.

[5] Sistema. O verbete contém vários significados, dentre os quais atentamos para os mais comuns. Sistema traz implícito o significado de idéias convergentes (sys+thema), temas que têm relações em comum. O conceito de sistema interliga conjuntos e subconjuntos, identificados por razões comuns a vários elementos de um determinado conjunto-universo. Sistema traz o significado de  um produto da inteligência humana derivado da necessidade de compreender a natureza, tanto  mais próximo quanto possível do que supomos ser a  realidade.

 No Dicionário Novo Aurélio-CD ROM, a saber: [Do gr. systema, 'reunião, grupo', pelo lat. systema.]S. m. 1. Conjunto de elementos, materiais ou ideais, entre os quais se possa encontrar ou definir alguma relação (5). 2. Disposição das partes ou dos elementos de um todo, coordenados entre si, e que funcionam como estrutura organizada: sistema penitenciário; sistema de refrigeração.  3. Reunião de elementos naturais da mesma espécie, que constituem um conjunto intimamente relacionado: sistema fluvial; sistema cristalino. 4. O conjunto das instituições políticas e/ou sociais, e dos métodos por elas adotados, encarados quer do ponto de vista teórico, quer do de sua aplicação prática: sistema parlamentar; sistema de ensino. 5. Reunião coordenada e lógica de princípios ou idéias relacionadas de modo que abranjam um campo do conhecimento: o sistema de Kant; o sistema de Ptolomeu.  6. Conjunto ordenado de meios de ação ou de idéias, tendente a um resultado; plano, método: sistema de vida; sistema de trabalho; sistema de defesa.  7. Técnica ou método empregado para um fim precípuo: sistema Taylor (de Frederick W. Taylor - 1856-1915); sistema Braille (de Louis Braille - 1809-1852).  8. Modo, maneira, forma, jeito.  9. Complexo de regras ou normas: um sistema de futebol; um sistema de corte e costura. 10. Qualquer método ou plano especialmente destinado a marcar, medir ou classificar alguma coisa: sistema métrico; sistema decimal.  11. Hábito particular; costume, uso: A cozinheira tinha o sistema de preparar as refeições com antecedência.  12. Anat. Conjunto de órgãos compostos dos mesmos tecidos e que desempenham funções similares. 13. Biol. Coordenação hierarquizada dos seres vivos em um esquema lógico e metódico, segundo o princípio de subordinação dos caracteres. 14. Comun. Conjunto particular de instrumentos e convenções adotados com o fim de dar uma informação: sistema radiotelegráfico; sistema de computadores; sistema audiovisual.  15. Fís. Parte limitada do Universo, sujeita à observação imediata ou mediata, e que, em geral, pode caracterizar-se por um conjunto finito de variáveis associadas a grandezas físicas que a identificam univocamente. 16. Geol. Conjunto de terrenos que corresponde a um período geológico. 17. Ling. Conjunto de elementos lingüísticos solidários entre si: sistema fonológico; sistema sincrônico.  18. Ling. A própria língua quando encarada sob o aspecto estrutural. 19. Mús. Qualquer série determinada de sons consecutivos.

[6] MORRIS, C. Fundamento da teoria dos signos. S. Paulo: Ed. USP,1976,pp.13 e 14.

[7] Fís.1. O que pode trocar energia e massa com o exterior.

[8] Ópt.1. Sistema óptico que forma no infinito a imagem dum objeto no infinito.

[9] Tip.  Sistema tipométrico baseado no ponto 0,351 mm e usado nos países de língua inglesa.

[10] Ópt. . Sistema óptico em que a aberração de esfericidade e a coma foram corrigidos.

[11] Bot.  Sistema baseado num órgão arbitrariamente escolhido pelo botânico. [Cf. sistema sexual.]

[12] Ópt. Sistema óptico em que a imagem de um ponto é um segmento de reta, não sendo a imagem de uma reta, em geral, uma reta, mas sim uma linha curva.

[13] Ópt. Sistema óptico que pode ser focalizado (em geral para o infinito) por um dispositivo de autocolimação.

[14] Mat. Importante sistema de numeração, utilizado na tecnologia dos computadores, no qual a base é dois, e que só tem dois algarismos: o zero e o um.

[15] Sistema de escrita para cegos, universalmente adotado, inventado por Louis Braille, pedagogo francês (1809-1852), que consta de pontos em relevo para leitura com auxílio dos dedos.

[16] Geom. Anal. Sistema de coordenadas, em que estas são cartesianas, e que foi inicialmente esboçado e posteriormente definido por Renée Descartes (1596-1650). em sua obra designada Geometria.

[17]Física. Sistema de unidades de medida baseado em três unidades fundamentais: o centímetro, unidade de comprimento; o grama, unidade de massa; e o segundo, unidade de tempo.

[18] Física. Sistema de unidades de medida em que três unidades fundamentais são as do sistema c. g. s. (centímetro, grama e segundo) e em que a permeabilidade do vácuo é tomada como a quarta unidade fundamental.

[19] Física. Sistema de unidades de medida em que três unidades fundamentais (centímetro, grama e segundo) são as do sistema c. g. s., e a permissividade do vácuo é a quarta unidade fundamental.

[20] Geometria Analítica. Sistema de coordenadas em que estas são cilíndricas.

[21] Álgebra. Sistema de equações que admite pelo menos uma solução bem determinada.

[22] Física. Aquele em que não há dissipação de energia sob forma térmica.

[23] Astronomia. Sistema cosmológico heliocêntrico criado por Nicolau Copérnico [V. copernicano.], e segundo o qual os planetas giravam em torno do Sol em movimentos circulares.

[24] Mineralogia. Conjunto de eixos cristalográficos cujas posições referentes no espaço e cujos valores dimensionais definem e classificam os cristais em sete categorias: sistema monométrico ou isométrico, tetragonal ou quadrático, hexagonal, trigonal, ortorrômbico, monoclínico e triclínico.

[25] Mús. Sistema baseada na divisão da oitava em 12 partes iguais.

[26] Mineralogia. Corresponde ao acima descrito sistema isométrico

[27] Brasileirismo. Sistema vigente em certos locais do interior brasileiro, e no qual o fazendeiro paga aos empregados com vales, aceitos apenas no barracão da fazenda, onde são  vendidos artigos de primeira necessidade a preços exorbitantes.

[28] Matemática. Sistema de números em que a unidade de ordem vale 10 vezes a unidade de ordem imediatamente anterior.  Sistema de computador. Proc. Dados. V. sistema de processamento de dados.

[29] Comunicações. Sistema de circulação de mensagens entre dois pólos distintos no espaço ou no tempo. Compõe-se basicamente de: fonte, que produz a mensagem original; emissor, que codifica a mensagem em uma seqüência de sinais, transmitindo-os através de um determinado canal; canal, meio utilizado para enviar os sinais; receptor, que exerce operação reversa à do emissor; destinatário, a quem se deseja alcançar com a mensagem.

[30] Qualquer combinação operável de um ou mais controladores automáticos ligados em malha fechada, com um ou mais processos; servossistema.

[31] Geom. Anal. Conjunto de n úmeros que determinam univocamente a posição de um ponto num espaço n-dimensional.

[32] Matemática. Conjunto de equações que devem ter pelo menos uma solução que as satisfaça simultaneamente.

[33] Mat. O conjunto dos logaritmos dos números numa base. Atribui-se ao matemático Napier, a invenção da  Tábua de Logaritmos.

[34] Mat. O conjunto de regras para representação dos números.

[35] Proc. Dados. V. sistema de processamento de dados.

[36] Proc. Dados. Conjunto complexo e organizado de procedimentos e equipamentos, geralmente baseados em circuitos eletrônicos, capaz de manipular e transformar dados segundo um plano determinado, produzindo resultados a partir da informação representada por estes dados. [V. processamento de dados.]

[37] Fís.  Significa o conjunto referencial em que está delimitado o campo da experiência ou da observação .

[38]Tip. Sistema tipométrico baseado no ponto de 0,3759 mm. [Estabelecido pelo impressor francês François Ambroise Didot (1730-1804), segundo a medida criada por Fournier. Cf. altura francesa e sistema Fournier.]

[39] Fís. Aquele em que ocorre dissipação de energia sob forma térmica.

[40]Mat. Sistema de numeração em que a base é doze.

[41] Proc. Dados. Novo sistema de computação que retém uma fração significativa do conhecimento de um especialista em uma determinada área, e que pode utilizar este conhecimento para sugerir conclusões às quais o especialista chegaria, se ambos fossem confrontados com os mesmos problemas.

[42] Proc. Dados. V. sistema operacional.

[43] Astr.1. V. galáxia (2).

[44] Fís.. Aquele que pode trocar energia com o exterior, mas cujas paredes ou fronteiras não permitem a passagem de substâncias materiais.

[45]Bot. Sistema de classificação dos vegetais baseado na teoria da evolução. [É o único que se usa hoje em dia, e que classifica, também, as plantas fósseis.]

[46] Tip. Sistema tipométrico (hoje usado somente na Bélgica) baseado no ponto original de 0,3487 mm. [É criação do tipógrafo francês Pierre Simon Fournier (1712-1768.)]

[47]Fís. Sistema de unidades de medidas elétricas e magnéticas em que todas as quantidades elétricas são medidas no sistema c.g.s. eletrostático e as magnéticas no sistema c.g.s. eletromagnético.

[48] Astr. Sistema cosmológico que admitia ser a Terra o centro do Universo, em torno da qual giravam todos os astros. [Cf. sistema ptolomaico.]

[49] Fís. Sistema de unidades de medidas que coincide, praticamente, com o sistema métrico, e no qual as unidades fundamentais são o metro, o quilograma e o segundo, e a permeabilidade do vácuo é igual a 10 elevado à potência -7.

[50] Astr. Sistema cosmológico que admite ser o Sol o centro do Universo, girando em torno dele os astros do sistema solar. [Cf. sistema copernicano e sistema kepleriano.]

[51] Fís.-Quím. O que é constituído por mais de uma fase e, portanto, tem propriedades que podem diferir de um ponto para outro.

[52] Min. O sistema cristalino caracterizado por  um eixo de simetria senário.

[53] Fís.-Quím. O que é constituído por uma só fase, i. e., aquele que em qualquer ponto tem as mesmas propriedades.

[54] Álg. Sistema de equações que admite uma infinidade de soluções.

[55] Sistema de unidades de medida baseado em seis unidades fundamentais: o metro, unidade de comprimento; o quilograma, unidade de massa; o segundo, unidade de tempo; o ampère, unidade de corrente elétrica; o kelvin, unidade de temperatura termodinâmica; e a vela(candeia), unidade de intensidade luminosa.

[56] Fís. O que não pode trocar nem energia nem massa com o exterior.

[57] Min. Sistema cristalino que se caracteriza essencialmente por três eixos cristalográficos iguais e retangulares, tendo os cristais deste sistema quatro eixos de simetria ternários, sistema monométrico, sistema cúbico.

[58] Astr. Sistema cosmológico heliocêntrico, criado pelo astrônomo alemão Johann Kepler (1571-1630), e segundo o qual os planetas giram em torno do Sol seguindo órbitas elípticas.

[59] Mat. O constituído por equações lineares.

[60] Sistema de unidades de medida baseado no metro, e que usa múltiplos e submúltiplos decimais.

[61] Fís. Sistema de unidades de medida baseado em três unidades fundamentais: o metro, unidade de comprimento; o quilograma, unidade de massa; e o segundo, unidade de tempo.

[62] Proc. Dados. Vide sistema operacional.

[63] Min. Sistema cristalino que se caracteriza essencialmente por três eixos cristalográficos desiguais, dois deles perpendiculares entre si, e o terceiro perpendicular ao eixo horizontal, porém oblíquo em relação ao vertical.

[64] Min. V. sistema isométrico.

[65] Fís. Sistema de unidades de medida baseado em três unidades fundamentais: o metro, unidade de comprimento; a tonelada, unidade de massa; e o segundo, unidade de tempo.

[66] Mat. O que envolve pelo menos uma equação não linear.

[67] Bot. Sistema de classificação no qual os caracteres empregados levam em conta as afinidades naturais das plantas, merecendo consideração, assim, todos os órgãos, conquanto se dê preferência à morfologia floral.

[68] Anat. Porção do sistema nervoso, tanto aferente quanto eferente, que inerva musculatura cardíaca e lisa, e controla secreções glandulares diversas. Não se encontra sob o controle da vontade, e divide-se em dois grandes setores: o simpático e o parassimpático. [Sin.: sistema nervoso vegetativo e sistema nervoso da vida vegetativa.]

[69] Anat. Porção do sistema nervoso composta de encéfalo, medula espinhal e meninges que os recobrem.

[70] Anat. V. sistema nervoso autônomo.

[71] Anat. V. sistema nervoso autônomo.

[72] Mat. Sistema de numeração em que a base é oito, adotado na tecnologia de computadores

[73] Proc. Dados. Sistema de caráter interativo, com a capacidade de aceitar dados diretamente no computador a partir do lugar aonde são criados e enviar os resultados do processamento diretamente para a área aonde são necessários, efetuando o transporte de dados através de canais ou linhas de comunicação, são evitados estágios intermediários, tais como gravações de dados em fita, ou disco magnético, ou impressão fora de linha.

[74] Proc. Dados. Conjunto integrado de programas básicos, projetado para supervisionar e controlar a execução de programas de aplicação em um computador; sistema monitor, sistema executivo. [Abrev.: OS, do inglês Operational System.]

[75] Min. Sistema cristalino que pode referir-se a três eixos cristalográficos desiguais dispostos em ângulo reto, e caracterizado, no essencial, por um eixo de simetria dupla, que é a interseção de dois planos de simetria, ou, então, perpendicular a dois eixos de simetria.

[76] O conjunto dos planetas que giram em redor do Sol. [Cf. sistema solar.]

[77] Corresponde ao presidencialismo como forma de governo.

[78] Geom. Anal. Sistema de coordenadas em que estas são polares.

[79] Astr. Sistema cosmológico geocêntrico, criado pelo astrônomo grego Cláudio Ptolomeu, no séc. II d. C., e segundo o qual todos os astros giravam em torno da Terra em movimentos circulares ou combinação de movimentos circulares. [Cf. sistema geocêntrico.]

[80] Min. Sistema cristalino que pode referir-se a três eixos retangulares, dois deles iguais, e caracterizado por um eixo de simetria quádrupla; sistema tetragonal.

[81] Fís.  Sistema de unidades de medidas elétricas e magnéticas, derivado do sistema métrico ou do c.g.s., e no qual as unidades destes aparecem multiplicadas por potências apropriadas de 4 < com o objetivo de tornar mais simples ou mais simétricas algumas expressões teóricas

[82] Histol. É integrado por células aparentemente isoladas e  autônomas que circulam pelo endotélio,  articuladas por um comando ainda  não suficientemente identificado,  que atuam em defesa de células do organismo  que estejam sendo agredidas ou perturbadas por  ações ou substâncias fora das funções celulares normais. Constitui-se por células que, situadas em diferentes locais do organismo, têm características reticulares e endoteliais e dispõem de capacidade fagocitária, intervêm na formação de células sangüíneas, no metabolismo do ferro e desempenham funções de defesa contra infecções, etc.

[83] Fís. Sistemas de natureza diferente cujo comportamento se descreve por equações idênticas.

[84] Mat. Sistema de numeração em que a base é sessenta.

[85] Bot. Sistema artificial, definido por Lineu (1707-1778), pelo qual as plantas são classificadas segundo os caracteres encontrados nos órgãos reprodutivos. [Cf. sistema artificial.]

[86] Astr. Conjunto de planetas [V. planeta (1).], asteróides, satélites, cometas, meteoritos e poeira cósmica que gravitam em redor do Sol. [Cf. sistema planetário.]

[87] Refere-se ao conjunto de regras definidas por  Frederick Taylor (1856-1915), engenheiro e economista americano, que realizou a primeira medida prática de realização do trabalho humano. Há uma brevíssima referência histórica ao conjunto de regras para o cálculo das diferenças finitas, que não é propriamente designado sistema, e que foi idealizado por  Brook Taylor (1685-1731),  matemático inglês.

[88] Ópt. Sistema afocal imerso em ar.

[89] Mús. Sistema que consiste em dividir a oitava em 12 semitons exatamente iguais, e que é usado na afinação de certos instrumentos de sons fixos (piano, órgão, etc.), de modo que uma tecla pode servir para produzir mais de uma nota, de nomes diferentes, mas de som igual, como, p. ex., dó, si sustenido e ré dobrado bemol, o que era impossível no temperamento desigual [Sin.: temperamento igual.]

[90] Mineralogia. Corresponde ao Sistema quadrático.

[91] Min. Sistema cristalino que pode referir-se a três eixos desiguais oblíquos.

[92] Min. Sistema cristalino caracterizado por um único eixo de simetria ternária e três eixos cristalográficos iguais, dispostos simetricamente em torno do eixo ternário, e fazendo com este um ângulo diferente de 90 graus.

[93] CAPRA, Fritzjof. A Teia da Vida. S. Paulo: Cultrix,1997, p.38..

[94] CAPRA, Fritzjof. A Teia da Vida. S. Paulo: Cultrix,1997, p.136.

[95] texto original de KORTE, Gustavo. Introdução à metodologia transdisciplinar. (Texto ainda não editado).